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Influência européia faz parte do dia-a-dia em Istambul | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O bairro de Beyoglu fica em Istambul, mas poderia estar em qualquer grande cidade da Europa. Bares, cafés, restaurantes e casas noturnas de alto padrão se enfileiram. Mulheres, algumas de saias insinuantes e blusas decotadas, tomam bebidas alcoólicas sem nenhum pudor. Grupos de rapazes bem vestidos saem cambaleantes das festas na madrugada, o eco do bate-estaca eletrônico ainda zumbindo em seus tímpanos. Os que ainda têm estômago, param para um último doner kebab (tradicional sanduíche feito com carne que gira num grande espeto, conhecido como churrasquinho grego no Brasil) antes de dormir. Europeizados A maior parte dos jovens entrevistados pela reportagem da BBC Brasil leva um estilo de vida europeizado e vê com naturalidade os planos do governo de negociar a entrada do país na União Européia.
De fato, pelo menos na cena cultural e dos agitos noturnos, Istambul parece já fazer parte do bloco europeu. “Os bares, clubs e outros locais que recomendamos na revista são bastante similares aos que você encontra em Londres”, disse Berna Karamercan, editora da Time Out Istanbul, a versão turca do guia de lazer que é referência entre os jovens na Grã-Bretanha. “Os clubs podem ser menores, mas têm o mesmo estilo e a mesma música. Recebemos dezenas de DJs dos países europeus”, acrescentou a jornalista. “Nos bares é a mesma coisa. Quando você vai a um deles, não escuta música árabe ou de dança do ventre, como alguns que não conhecem a Turquia pensariam, mas ouvem música moderna européia, tecno, hip-hop ou underground.” Apesar de ter maioria muçulmana, a Turquia é um país de leis seculares, onde se toleram práticas nem tão muçulmanas assim. Toma-se álcool em doses cavalares – seja a cerveja local Efes, seja o tradicional e forte Raki (drink com sabor de aniz). Os hábitos sociais estão a meio caminho entre aqueles praticados em outros países muçulmanos do Oriente Médio e as nações mais liberais do Ocidente. Casais de namorados, por exemplo, caminham de mãos dadas e se abraçam de forma fraternal. Beijos na boca ou agarrões mais acalorados só nos bares mais modernos. Se feitos em público, não raro viram caso de polícia. Casais do mesmo sexo também costumam preferir a discrição – se bem que a tolerância com o homossexualismo é crescente. Alguns dos mais antigos harams, os históricos banhos turcos, são hoje ponto de paquera de homens gays. “Esses locais de banhos tem história, foram construídos durante o período otomano. E mesmo assim ninguém reclama do fato de estarem sendo utilizados por gays”, observou a editora da Time Out Istanbul, que lista também os principais locais e eventos da cena gay da cidade.
“Há muitos clubes e bares gays em Istambul, que não é uma cidade muito conservadora nesse sentido", diz Karamercan. "Há muitos desses locais na região da praça Taksim e eles estão sempre lotados. Mesmo os heterossexuais frequentam para se divertir.” Ocidentalização A Turquia é um dos únicos países islâmicos em que o secularismo e o alinhamento com a Europa e os Estados Unidos desde os anos 1920 são motivos de orgulho do Estado. “A Turquia é a única democracia secular pluralista do mundo muçulmano e sempre deu muita importância ao aprofundamento de suas relações com os países da Europa”, afirma uma brochura de propaganda do ministério turco para assuntos da União Européia. “O país começou a ‘ocidentalizar’ suas estruturas políticas econômicas e sociais no século 19”, continua a peça informativa publicitária. Essa ocidentalização pode ser vista em toda parte em Istambul, cidade onde já aterrissaram quase todos os símbolos da modernidade globalizada. Para azar dos tradicionais vendedores ambulantes, por exemplo, muitos turcos agora comem o seu simit em redes de fast-food como o Simit Sarayi.
O simit, tradicional pãozinho turco recoberto com sementes de gergelim, agora é vendido em “combos”, estilo McDonald´s, com direito a recheios, acompanhamentos e refrigerante. Os mais velhos dificilmente deixarão de lado as horas e horas de bate papo nos tradicionais cafés. Tampouco deixarão de fumar tabaco com aroma de frutas nos narguilés. Mas em breve a juventude europeizada de Istanbul estará consumindo litros e litros de café padronizado, sabor internacional, na loja da rede Starbucks que abrirá no calçadão de Istiklal Caddesi, coração da parte moderna da cidade. Na música pop turca, há também sinais fortes dessa marcha rumo ao oeste. Os hits de astros como Tarkan trazem batidas eletrônicas comuns às pistas de dança européias. Pela primeira vez, no ano passado, a Turquia venceu o Eurovision, concurso em que competem artistas representando cada país da Europa. Coincidentemente, o reconhecimento internacional à canção de Sertab Erener aconteceu na primeira vez em que a canção inscrita pela Turquia foi cantada em inglês, e não em turco. |
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