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Atualizado às: 22 de abril, 2004 - 10h54 GMT (07h54 Brasília)
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Aliados dos EUA no Oriente Médio sentem a pressão

Chaveiro com foto do rei Abdullah, da Jordânia
O rei Abdullah é um aliado-chave dos EUA no Oriente Médio
Os aliados árabes dos Estados Unidos não estão apenas irados. Eles se sentem feridos, humilhados e ameaçados.

A verdadeira preocupação para líderes como o rei Abdullah, da Jordânia, ou o presidente egípcio, Hosni Mubarak, é que os Estados Unidos consigam botar fogo na "rua árabe" do Oriente Médio.

Obviamente, os moradores dessa "rua" sempre foram revoltados com os Estados Unidos por apoiar Israel – e os acontecimentos no Iraque aumentam esse sentimento.

Mas, pelo que se pode ouvir em inflamadas conversas em qualquer casa de chá egípcia, o nível de ressentimento está aumentando.

Assassinatos

A grande mudança veio, verdadeiramente, depois do assassinato de Ahmed Yassin, o líder espiritual do Hamas, em março.

Árabes demais acharam que esse foi um crime sem precedentes por parte de Israel, e que esse crime recebeu o aval dos Estados Unidos.

Então veio o segundo assassinato de um líder do Hamas, Abdelaziz Al-Rantissi, na semana passada.

Por fim, os líderes árabes e suas nações tiveram que aturar o espetáculo de um triunfante Ariel Sharon subindo no pódio da Casa Branca, com os Estados Unidos dando sinais de apoio aos israelenses e ao "processo de paz" no Oriente Médio.

Por isso, é um momento difícil para ser um amigo árabe do presidente Bush.

Restrito pelas regras do protocolo diplomático, o rei Abdullah, que cancelou um encontro que teria com Bush em Washington nesta quarta-feira, disse apenas que ele queria "esclarecer" a posição americana.

Mas a decisão de "esnobar" Bush foi bastante clara, já que o rei já estava nos Estados Unidos e encurtou sua visita para voltar para casa.

O rei havia escrito antes uma carta ao presidente Bush.

Nela, Abdullah ressaltou a posição jordaniana de que a única forma de acabar com o conflito entre israelenses e palestinos é por meio da implementação do plano de paz proposto anteriormente com o apoio dos próprios Estados Unidos, da ONU, da União Européia e da Rússia.

Os presides Hosni Mubarak, do Egito, e George W. Bush, dos Estados Unidos
Mubarak teria ficado furioso com a mudança de posição americana

E que a saída israelense da Faixa de Gaza precisa ser parte de um plano de paz e não uma alternativa a ele.

O rei Abdullah, sem dúvida, está preocupado com a possibilidade de que mais refugiados palestinos fujam para a Jordânia caso Israel permaneça, com o apoio americano, em grandes áreas da Cisjordânia.

E tanto o líder jordaniano quanto o egípcio temem que, se os Estados Unidos abandonaram o plano de paz anterior, eles, que são dois dos países-chave que apóiam o plano, vão acabar sendo vistos como tolos em seus próprios quintais.

Um diplomata me disse que o presidente Mubarak estava particularmente enfurecido com o fato de a aparente mudança de posição dos americanos em favor dos israelenses ter ocorrido apenas dois dias depois de ele e Bush terem tido uma reunião no rancho do presidente americano em Crawford, no Estado do Texas.

Mubarak ainda estava nos Estados Unidos, na cidade texana de Houston, dando entrevistas, quando tudo aconteceu. Ficou claro que ele não havia sido consultado.

O fantasma de Balfour

A imprensa árabe chamou uma carta enviada por Bush a Sharon de "Nova Declaração Balfour" – em referência à promessa britânica de 1917 de permitir a criação de um país para os judeus na Palestina.

A declaração de 17, redigida pelo ministro do Exterior britânico Arthur Balfour, é uma cicatriz profunda na psique árabe.

Ela permanece na memória árabe como um símbolo de como as potências coloniais doaram terras que não lhes pertenciam.

Talvez não seja surpreendente que Mubarak tenha dito ao jornal francês Le Monde que os Estados Unidos nunca foram tão odiados no mundo árabe.

A Jordânia e o Egito são os únicos dois países que assinaram acordos de paz com Israel.

Eles são os mais importantes aliados moderados dos Estados Unidos no mundo árabe.

Se vencer a "guerra contra o terror" depender da conquista dos corações e mentes dos árabes, a ira e a inquietação desses dois países-chave do Oriente Médio não são boa notícia para o presidente Bush.


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