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Atualizado às: 08 de março, 2004 - 22h49 GMT (19h49 Brasília)
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Entenda as negociações entre a Argentina e o FMI
O presidente argentino, Néstor Kirchner
Kirchner ameaça não pagar o FMI
A BBC Brasil escolheu algumas das dúvidas mais comuns sobre a atual crise envolvendo a Argentina e o Fundo Monetário Internacional para esclarecer.

Leia abaixo as principais perguntas e respostas sobre o caso.

O que deve acontecer no dia 9 de março?

A Argentina deveria pagar uma parcela de US$ 3,1 bilhões de um empréstimo antigo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Mas a Argentina não vai receber dinheiro novo do FMI?

O país receberá dinheiro desde que o acordo com o Fundo continue funcionando como foi acertado em setembro do ano passado. De acordo com o novo acordo, a Argentina não precisa fazer pagamentos líquidos, e as parcelas foram desenhadas para coincidir com o pagamento da dívida atual.

E por que então a Argentina está ameaçando não pagar?

Eles querem a garantia, por parte do FMI, de que a próxima parcela do acordo (a segunda, de um total de US$ 13,5 bilhões) será liberada para que façam o pagamento da dívida que vence nesta terça-feira, alegando que não podem reduzir o volume de reservas. Todos os acordos de empréstimo do FMI embutem condições que devem ser cumpridas para a liberação dos recursos. As metas fiscais e monetárias do acordo foram cumpridas, mas há uma condição, a negociação com os credores privados, que ainda não foi. Essa dívida com os credores privados internacionais soma US$ 89 bilhões e deixou de ser paga em dezembro de 2001. O governo argentino ofereceu pagar apenas 25% do valor devido em dez anos. Pelo acordo com o FMI, 80% dos credores têm que aceitar a oferta argentina para que ela se torne válida. A Argentina quer reduzir essa parcela para 50%. Analistas de mercado dizem que o FMI aceitaria uma taxa de 66%. Esse é um dos principais impasses da negociação.

Quem são os credores? Grandes fundos de investimento internacionais?

Alguns deles sim, mas há também centenas de milhares de pessoas que investiram suas economias nos papéis do governo argentino. O maior grupo de credores está na Itália, mas há também muitos investidores na Alemanha e no Japão.

Quais são as chances de que o FMI se recuse a liberar a segunda parcela de recursos do acordo firmado no ano passado?

É difícil dizer. Mas alguns membros poderosos do FMI estão descontentes com a liberação da parcela anterior. Principalmente Itália, Alemanha e Japão, onde estão muitos dos pequenos investidores que ficaram sem seus recursos.

E como está a economia argentina agora?

Muito melhor do que um ano atrás. No ano passado, o crescimento foi de 8%, elevado mas ainda insuficiente para compensar a recessão dos quatro anos anteriores. Os credores sabem disso e argumentam que agora fica mais fácil para a Argentina pagar mais. Mas o governo argentino teme que aumentar o pagamento da dívida pode comprometer a recuperação do país.

O que acontece com a Argentina se realmente não pagar a dívida nesta terça-feira?

O país entra na rota de default. Mas ainda não é o fim da linha, e novos prazos de pagamento serão dados. Ficam suspensos os créditos de organismos multilaterais – além do FMI, Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento – que são justamente os credores aos quais o país recorre quando não consegue crédito privado.

E quais são as conseqüências para o Brasil?

Na opinião de alguns analistas ouvidos pela BBC Brasil a tendência é que o impacto não seja tão grande quanto o ocorrido no primeiro calote, porque os dois países já seriam vistos de forma separada pelos investidores estrangeiros.

Outro motivo é que agora os investidores têm poucos papéis argentinos e não seriam imediatamente afetados por um calote contra o Fundo. Na crise anterior, o investidores venderam papéis brasileiros para cobrir os prejuízos com as aplicações na Argentina.

No entanto, um novo calote ainda pode afetar o Brasil de diferentes formas.

Como a Argentina é o segundo maior comprador de produtos brasileiros, não é bom para o Brasil ter um parceiro comercial desse porte em crise – as importações podem cair.

Além disso, segundo as regras do FMI, quando um país não paga suas dívidas, outros credores do fundo, junto com os países que financiam a organização, acabam arcando com os custos. No caso do Brasil, poderia haver um aumento dos juros pagos pelo país ao Fundo.

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