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Governo da Argentina tem encontro decisivo com o FMI | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, terá encontro decisivo, nesta segunda-feira, em Miami, nos Estados Unidos, com o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), o alemão Horst Köhler. Eles vão discutir o novo impasse entre o país e a instituição financeira, segundo assessores do ministro argentino. A Argentina, como disse o próprio presidente Néstor Kirchner, só pagará o próximo vencimento ao FMI, de US$ 3,1 bilhões, no dia 9 de março, se tiver certeza de que o dinheiro será reembolsado aos seus cofres. Por sua vez, o G-7, os sete países mais ricos do mundo com votos decisivos no diretório do FMI, exige que a Argentina acelere a renegociação da sua dívida de US$ 88 bilhões (65% do Produto Interno Bruto do país) em moratória desde dezembro de 2001. Na sexta-feira, ministros das Finanças do G-7 divulgaram comunicado neste sentido. Títulos públicos Para o presidente Kirchner e para Lavagna, o país não tem condições de refazer a proposta de pagar 25% aos que compraram títulos públicos da Argentina. Eles entendem que alterar a oferta comprometerá o crescimento do país. Segundo diferentes consultorias, a Argentina deverá crescer, neste ano, 7%. Na semana que vem, uma nova missão do FMI desembarca na capital do país para realizar a segunda revisão do acordo assinado em setembro passado. Dela dependerá a decisão do governo argentino em relação ao pagamento da dívida com o FMI, de acordo com fontes do governo argentino. A nova polêmica entre a Argentina e o FMI está gerando discussão também entre os economistas argentinos. Divergências Em entrevistas à BBC Brasil, Júlio Piekarz, da consultoria IBCP, Cláudio Lozano, da Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), e o sociólogo Ernesto Kritz mostraram opiniões divergentes. Piekarz diz que a Argentina deve fazer de tudo para não romper com o FMI. “Ou o crescimento da economia estará ameaçado com o perigo da alta do dólar e do aumento do risco país”, afirmou. Lozano disse que a Argentina deve aproveitar o momento para buscar novos aliados no mundo e tentar viver sem a ajuda e as exigências do FMI. “Até aqui, o governo argentino deu prioridade à relação com o FMI, cumprindo, além da conta, as metas fiscais e monetárias previstas no último acordo. Nada disso, porém, serviu para aliviar a relação com o organismo. Então, é hora de rever esta aliança e viver sem ela”, destacou. Na opinião do sociólogo Kritz, um rompimento com o FMI poderia provocar maior isolamento da Argentina no mundo dos investimentos e das finanças. “Para combater a pobreza e o desemprego, o país precisa estar no mapa dos grandes países e para isso é preciso manter a boa relação com o FMI.” Pesquisa de opinião da consultoria Research International-Analogia, divulgada no domingo pelo jornal La Nación, indica que 87,9% dos argentinos aprovam a forma como o presidente vem conduzindo as negociações com o FMI. Preocupado em manter esse apoio interno, Néstor Kirchner, de acordo com assessores, não pretende mudar o rumo das discussões. |
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