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Atualizado às: 11 de fevereiro, 2004 - 17h14 GMT (15h14 Brasília)
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Investidores estão nervosos com governo argentino, dizem analistas

O presidente argentino Nestor Kirchner
Kirchner culpa FMI por queda da Bolsa na Argentina
A violenta queda de 7,88% do índice Merval da Bolsa de Buenos Aires, registrada na terça-feira, é um sinal do nervosismo dos investidores em relação aos “gestos políticos” do governo do presidente Néstor Kirchner na negociação com o FMI (Fundo Monetário Internacional).

Essa é opinião de especialistas sobre o humor do mercado depois que novos bens argentinos foram bloqueados nos Estados Unidos.

Os analistas não concordam, porém, sobre o que poderá ocorrer de agora em diante, após o anúncio do bloqueio destes 11 bens do país em Washington e Maryland, incluindo as residências dos embaixadores da Argentina nos Estados Unidos e junto à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Os bloqueios são um passo anterior ao embargo e foram feitos a pedido dos fundos de investimentos que representam credores que compraram papéis da dívida em moratória desde dezembro de 2001.

'Respiro'

O economista Hernan Hirsh, da consultoria Miguel Angel Broda e Associados, entende que o país ganhou um ''respiro'' com o anúncio feito ontem pelo ministro da Economia, Roberto Lavagna, sobre a formação de um sindicato de bancos que participarão da reestruturação desta dívida de US$ 88 bilhões.

''A Argentina ganhou três meses de alívio e a perspectiva é de que agora em diante tudo volte aos trilhos'', afirmou.

''O Merval (que representa as principais ações negociadas na Bolsa) deve até subir levemente para recuperar as quedas”, acredita.

Já o economista Orlando Ferreres, da consultoria Ferreres e Associados, destacou que o sindicato dos bancos é apenas um item na lista de exigências feitas no último acordo da Argentina com o FMI, assinado em setembro.

''Pelo acordo, a Argentina está cumprindo bem os prazos para reestruturar esta dívida. O prazo limite é junho deste ano'', ressaltou.

''A dívida é só uma das questões'', insistiu.

Na segunda revisão do acordo, prevista para a semana que vem, a missão do FMI vai verificar, entre outras questões, a moratória de cerca de US$ 50 bilhões das empresas argentinas com dívida no exterior.

Para complicar, o Banco Mundial adiou parecer sobre empréstimo ao país de US$ 500 milhões. Por tudo isso, Ferreres entende que o país ainda viverá novos dias de tensão.

Na sua opinião, o índice Merval da Bolsa de Buenos Aires caiu por vários motivos: o embargo dos bens, a negociação difícil com o FMI e porque os papéis estavam muito valorizados.

“Quando o país declarou a moratória, o Merval chegou a 200 pontos base. Este ano, ele bateu em 1.200 pontos. O normal é 900 pontos. Com a queda, ele ficou em 1007 pontos. Então, está dentro do previsível.”

Fogo de artifício

O mercado financeiro também está de olho no vencimento de US$ 3,1 bilhões que a Argentina deverá pagar ao Fundo no dia 9 de março.

É a maior parcela do acordo, que tem três anos de duração. O governo quer garantias de que esse dinheiro (20% das reservas do Banco Central do país) será reembolsado aos seus cofres.

No Fundo, por sua vez, esperavam sinais ''mais claros'' da Argentina, como disse à BBC Brasil um assessor da instituição, de que a dívida será negociada.

O presidente Kirchner reiterou que o governo não pode pagar mais do que os 25% estabelecidos.

Ele voltou a atacar a instituição financeira, dizendo que os bloqueios são como ''fogos de artifício'' e que a Bolsa caiu por culpa do FMI.

Para ele, mudar essa oferta seria provocar um ''genocídio'' contra o povo argentino.

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