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A Semana: Kerry se prepara para enfrentar Bush | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um dia antes da chamada Super Tuesday, o resultado já era esperado. Mas, no início deste ano, poucos imaginavam que a disputa dentro do Partido Democrata americano fosse terminar dessa maneira. Mal começou o mês de março, e a oposição democrata já tem um candidato para enfrentar o presidente George W. Bush em novembro. Desacreditado antes da primeira primária do partido, o senador John Kerry conquistou nesta semana uma indicação quase unânime, que dá a largada para a campanha pelo comando dos Estados Unidos nos próximos quatro anos. Dos dez Estados que votaram nas prévias na última terça-feira, nove escolheram Kerry. Seu nome só não foi endossado em Vermont, onde o ex-governador do Estado Howard Dean, que já havia desistido da disputa, saiu vencedor. O último adversário com chances de bater Kerry, o também senador John Edwards, abandonou sua campanha com um discurso de elogios ao colega, o que reforçou a idéia de que o partido sai unido desse processo. Agora, começa a verdadeira batalha. O Partido Democrata saiu ileso do processo geralmente desgastante de escolha de seu candidato e agora concentra forças - e dinheiro - na luta para tirar Bush da Casa Branca. Mas Bush também pode agora concentrar seus ataques em uma só pessoa, explorando melhor possíveis deficiências que venham a ser identificadas na carreira e nas propostas do senador de Massachusetts. Pesquisas de opinião indicam empate técnico entre Bush e Kerry, com um terceiro candidato ameaçando novamente atrapalhar a vida dos democratas. O independente Ralph Nader, que em 2000 abocanhou o que para muitos poderia ter sido a margem de votos que levaria Al Gore à vitória, decidiu concorrer de novo. Preparem-se, porque os próximos oito meses prometem fortes emoções. Eleições ou guerra civil? Pode ser que o Iraque pós-Saddam Hussein não veja nem uma coisa nem outra nos próximos meses. Mas analistas continuam apresentando argumentos para cenários dos mais otimistas aos mais catastróficos. A semana que termina deu munição aos pessimistas. Enquanto os democratas escolhiam John Kerry para enfrentar Bush nos Estados Unidos, no Iraque mais de 200 xiitas eram mortos em uma série de atentados a bomba nas cidades de Bagdá e Karbala.
Imediatamente, o medo de uma guerra civil entre os sunitas, favorecidos durante o regime de Saddam Hussein, e os xiitas, reprimidos pelo mesmo Saddam, foi às alturas. Mas os otimistas dizem que progressos na direção de uma nova Constituição para o Iraque mostram que, na verdade, os ataques são apenas uma tentativa de grupos isolados de desestabilizar o país. A assinatura da nova Constituição estava prevista para a sexta-feira, mas foi adiada porque o grupo xiita não concordou com a versão final. Os problemas ainda poderiam ser superados, mas exigiriam um esforço extra de negociação. Nada que impeça a democratização do Iraque num futuro próximo, dizem os otimistas. Para outros, trata-se de um sinal de que o pior ainda está por vir. Venezuela: haverá referendo? Poucos arriscam dizer se a Venezuela realizará mesmo ou não um referendo sobre a permanência do presidente Hugo Chávez no poder. Apesar de prevista na Constituição, a possibilidade de uma consulta popular depende do apoio de pelo menos 2,4 milhões de assinaturas, que precisam ser confirmadas por uma comissão eleitoral. A oposição, que deseja usar uma possível consulta para tirar Chávez da Presidênca, diz que já conseguiu mais do que isso. Mas, no início da semana, a comissão afirmou que apenas 1,8 milhão de assinaturas haviam sido confirmadas. O anúncio foi suficiente para causar a ira de milhares de manifestantes. A oposição terá mais duas semanas para conseguir a confirmação das assinaturas que faltam. Se não conseguir, a violência pode voltar às ruas de Caracas. Haiti nas mãos dos rebeldes A semana marcou o fim de mais um capítulo na conturbada história do Haiti. O presidente Jean Bertrand Aristide não está mais no cargo nem no país. Na capital, Porto Príncipe, manifestantes saquearam sua casa, destruindo móveis e pertences pessoais. Nas ruas, o jovem líder rebelde Guy Philippe, agora auto-proclamado comandante militar do Haiti, foi recebido com festa em Porto Príncipe. Mas os haitianos ainda não têm claro o que o futuro lhes trará. Soldados americanos e franceses desembarcaram no país caribenho com a missão de manter a ordem. Na quinta-feira, no entanto, confrontos entre grupos armados levaram o primeiro-ministro Yvon Neptune a declarar estado de emergência.
O Brasil deverá dar sua contribuição. Numa segunda fase da operação de paz, 1.100 soldados brasileiros devem ajudar a patrulhar as ruas do país, o mais pobre das Américas. Ainda nesta semana, enquanto uma nova equação política se formava no Haiti, longe dali, na República Centro-Africana, Jean Bertrand Aristide dizia que não havia renunciado. Segundo ele, agentes americanos o seqüestraram e o retiraram do país à força. Washington classificou a acusação de "absurda", e o presidente George W. Bush preferiu dizer que os haitianos estavam entrando em um novo capítulo da sua história. |
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