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Primeiro-ministro declara estado de emergência no Haiti | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O primeiro-ministro do Haiti, Yvon Neptune, declarou estado de emergência no país depois de confrontos entre a polícia e grupos armados leais ao ex-presidente Jean-Bertrand Aristide. Pelo menos três pessoas morreram em choques em La Saline, no centro de Porto Príncipe, um reduto pró-Aristide sobre o qual a polícia tentava restabelecer controle. Neptune afirmou que o estado de exceção vai ajudar a restabelecer a ordem e a atividade econômica do país – segundo ele, os saques das últimas semanas já causaram prejuízos de mais US$ 3 milhões. O premiê haitiano – que assumiu o poder depois da partida de Aristide – tomou a decisão apesar do pedido do principal líder rebelde, Guy Philippe, para que seus seguidores abandonassem as armas. Segundo correspondentes da BBC em Porto Príncipe, já há sinais de que os rebeldes estão se desarmando. Além disso, fuzileiros navais americanos – enviados depois da saída de Aristide – aumentam a sua presença no país. Sem tropas caribenhas Além dos mais de mil fuzileiros navais americanos, outras centenas de soldados de outras nações já chegaram ao Haiti, mas, até agora, vinham evitando se envolver diretamente no patrulhamento das ruas. Sua missão estava sendo principalmente proteger locais considerados estratégicos, como o aeroporto de Porto Príncipe e o Palácio Presidencial. Por outro lado, o Caricom (Comunidade caribenha) anunciou que não vai participar de uma força de paz no país por causa das alegações de Aristide de que ele teria sido forçado pelos Estados Unidos a deixar o poder. "Os líderes do Caricom querem que as Nações Unidas investiguem as circunstâncias sob as quais Aristide deixou o Haiti", afirmou o vice-chanceler de Bahamas, Carlton Wright, à BBC. O secretário de Estado americano, Colin Powell, reiterou que Aristide deixou o governo e o Haiti de forma voluntária. Ajuda humanitária Um avião fretado pelo Unicef (fundo da ONU para a infância) chegou ao país nesta quarta-feira, levando 30 toneladas de suprimentos médicos. A situação parece ser particularmente crítica no norte, onde os rebeldes mantêm controle há semanas. "Há áreas a que nós não temos acesso há meses", afirmou a porta-voz do Unicef, Marixie Mercado. Essas regiões teriam ficado isolados inicialmente por causa das enchentes que assolaram o país no ano passado e, nos últimos meses, por causa da instabilidade política. A agência humanitária Oxfam calcula que pelo menos 80 mil pessoas em Porto da Paz e 60 mil em Cap Haitien não tenham acesso a água limpa. Mas os funcionários alegam que os mantimentos só poderão ser distribuídos quando houver mais segurança no país. |
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