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Atualizado às: 02 de março, 2004 - 06h37 GMT (03h37 Brasília)
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Análise: A reação americana à crise no Haiti

O ex-presidente do Haiti, Jean-Bertrand Aristide
Aristide primeiro tinha o apoio americano, mas depois o perdeu
Percival Patterson, presidente da Comunidade dos Países do Caribe (Caricom), foi um dos críticos mais fiéis do que descreve como a destituição de Aristide.

Patterson - que também é o primeiro-ministro da Jamaica - afirmou que as pessoas não hesitarão em perguntar se a renúncia de Aristide foi verdadeiramente voluntária e se o fato de ele ter abandonado o cargo não abre um precendente perigoso para os governos eleitos democraticamente em outras partes do mundo.

Não é de surpreender que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que também foi eleito democraticamente e que enfrenta uma forte oposição interna, considere a demissão de Aristide uma "tragédia".

Alguns críticos do governo Bush dentro do Partido Democrata dizem que Washington deveria ter feito mais para que Aristide terminasse seu mandato e não forçá-lo a se afastar em meio ao que muitos consideram uma tomada ilegal do poder por rebeldes de duvidosas credenciais democráticas.

Mudança de tática

Afinal, dizem os críticos, até a quinta-feira da semana passada, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, dizia que, apesar de ser incompetente e corrupto, Aristide havia sido eleito democraticamente e não deveria ser forçado a renunciar.

Depois mudou de tática e decidiu abandonar Aristide.

Outros oponentes de Bush vão ainda mais longe; dizem que muitos republicanos nunca gostaram de Aristide por causa de seu passado "esquerdista", e haviam se mostrado dispostos a tirar dele sua autoridade.

Um exemplo de como eles mostraram isso foi a sugestão que fizeram de bloquear a ajuda externa de US$ 500 milhões da qual o Haiti precisava desesperadamente para amenizar sua situação econômica, sendo o país mais pobre do hemisfério ocidental.

Os governos dos Estados Unidos e da França insistiram que Aristide havia perdido tanto sua legitimidade com seu povo que não lhe restava outra opção a não ser deixar o governo.

Mas o debate sobre o papel de Washington na renúncia de Aristide não vai desaparecer, ao menos por hora, em uma região do mundo como esta, tão sensível à intervenção americana.

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