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Atualizado às: 29 de fevereiro, 2004 - 16h49 GMT (13h49 Brasília)
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Perguntas e respostas: A crise no Haiti
Rebeldes no Haiti
Rebeldes no Haiti
O presidente do Haiti, Jean Bertran Aristide, deixou o poder neste domingo. Em seu lugar, assumiu temporariamente o presidente da Suprema Corte, Boniface Alexandre. A BBC explica a crise política que já causou a morte de pelo menos 70 pessoas e resultou na saída de Aristide.

O presidente haitiano deixou o poder. E agora, o que acontece?

A situação política ainda é instável e as batalhas nas ruas do Haiti não terminaram.

Algumas cidades ainda são dominadas por simpatizantes armados do governo de Aristide, que não estão dando sinais de que pretendem abandonar as armas.

Do outro lado, mesmo com a saída de Aristide, o líder rebelde Winter Etienne disse que grupo não vai desarmar até que um novo governo seja estabelecido.

O presidente da Suprema Corte, Boniface Alexandre, assumiu a presidência temporariamente, como estabelece a Constituição haitiana.

Qual a gravidade da situação?

Para muitos observadores locais, a pior situação aconteceria caso Aristide saísse do poder sem uma força política com credibilidade para ficar em seu lugar.

A oposição política, que não é ligada aos rebeldes, tentou se apresentar como uma solução viável a Aristide.

Eles estão preocupados que os rebeldes que forçaram a saíde de Aristide não passam de gangues armadas sem crenças politicas definidas.

Cenas de pânico entre a população são comuns - em um caso, 200 pessoas tentaram embarcar em um avião de nove lugares que seguiria para a República Dominicana.

O Brasil, a França, o Canadá e os Estados Unidos mandaram aviões militares para retirar seus cidadãos do Haiti.

O caos se instaurou em várias cidades, com saques e violência.

Há relatos de que milhares de pessoas saquearam um carregamento de ajuda humanitária no porto da capital, Porto Príncipe.

Qual foi a razão dos protestos?

A crise dos últimos meses começou a tomar forma nas eleições de 2000 e explodiu durante as celebrações de 200 anos de independência do Haiti.

A oposição política temia que Aristide pudesse fraudar as eleições marcadas para 2004 e continuar no poder por um terceiro mandado.

A oposição, então, boicotou o Congresso e se recusou a cooperar com qualquer iniciativa do governo.

Desde então, eles vêm protestando contra a piora na situação econômica do país e a falta de diálogo político.

Eles também se recusavam a participar das eleições se Aristide não renunciasse.

Os protestos foram ficando mais violentos nos últimos meses, principalmente em cidades rurais como Gonaives e Cap Haitien.

Choques violentos entre grupos de oposição e simpatizantes do governo resultaram na morte de pelo menos 70 pessoas desde setembro.

Quem é a oposição?

A principal oposição política, que se distanciou dos rebeldes armados, forma uma coalisão conhecida como "Grupo de 184", pois reúne esse número de partidos políticos, sociedades civis, sindicatos e associações comerciais.

Não há um líder, mas o empresário Andre Apaid vem atuando como porta-voz do grupo.

Já os rebeldes armados são um grupo formado por membros de gangues e ex-soldados.

O líder do levante inicial em Gonaives é uBtteur Metayer, de 33 anos, um conhecido membro de uma gangue que costumava ser pró-Aristide, chamada "Exército Canibal", que foi renomeada "Frente de Resistência".

Um outro grupo reúne soldados que faziam parte do antigo Exército haitiano, que foi dissolvido em 1995 depois que tropas americanas devolveram o poder a Aristide.

O grupo, que se chama de "Novo Exército", é liderado por Guy Philippe, de 36 anos, que vem despontando como o líder da rebelião.

O presidente Aristide fracassou?

Jean Bertrand Aristide tem sido uma figura dominante na política haitiana nos últimos 15 anos.

Antes desta crise, ele trouxe alguma estabilidade política ao país.

Mas ele decepcionou muitos de seus defensores mais radicais por não realizar mudanças. Aristide e seus partidários dizem que ele não conseguiu avançar nas mudanças propostas por causa da oposição dos Estados Unidos e a falta de apoio da comunidade internacional.

A situação econômica do Haiti piorou nos últimos anos.

Restou pouco da economia formal do país e a tradicional exportação de café, rum e outros produtos agrícolas quase não existe mais.

Um pequeno número de indústrias americanas que estavam no país foram embora e o turismo, que cresceu muito nos anos 70, também é quase inexistente.

O único crescimento é na área do tráfico de drogas, já que o Haiti fica em uma posição estratégica para carregamentos que vão da América Latina para os Estados Unidos.

Recentemente, o secretário de Estado americano, Colin Powell, reclamou da falta de apoio de autoridades haitianas na guerra contra as drogas.

Por causa da epidemia de AIDS e outras crises de saúde, a expectativa de vida média no país caiu para 49 anos.

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