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Líderes xiitas do Iraque rejeitam retaliar ataques | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Clérigos xiitas de alta hierarquia no Iraque disseram nesta quarta-feira que a sua comunidade religiosa não será levada à guerra civil pelos ataques em Bagdá e Karbala na terça-feira. Eles argumentaram que os xiitas chegarão ao poder por meios democráticos. As autoridades iraquianas estimam que 271 pessoas tenham morrido nos atentados, mas os americanos acreditam que o número seja menor. "Há partidos e grupos que estão querendo empurrar o Iraque para a guerra civil, mas não acredito que isso vá acontecer porque os primeiros a perder serão aqueles que estão tentando forçar um conflito", disse à agência Reuters o aiatolá Hadi Al-Muddaresi, um dos mais graduados clérigos xiitas do Iraque. "Mesmo que o conceito de guerra civil esteja pairando no ar, o material para que ela aconteça não existe. Nós, os xiitas, nos recusamos a ser arrastados a esse conflito." Eleições No início da semana, o Conselho de Governo Interino do Iraque chegou a um acordo sobre uma Constituição provisória para o país e a expectativa é que eleições possam ser convocadas até o início de 2005. Os xiitas esperam que as eleições, se forem livres e justas, reflitam a sua condição de maioria no Iraque, dando a eles uma participação grande na condução do país. Para Muddaresi, os xiitas tiveram negado seu direito de participação por muitos anos e, agora, estão apelando para que seus direitos sejam respeitados. "Mas, ao mesmo tempo, denunciamos a tirania da maioria e denunciamos a tirania da minoria sobre a maioria", disse ele. Responsabilidades O clérigo disse à agência de notícias que os ataques eram uma tentativa de sunitas extremistas de fomentar uma guerra civil no Iraque, onde 60% da maioria xiita viveu sob o controle da minoria sunita por décadas, no regime de Saddam Hussein. Mas até agora não há informações confirmando a responsabilidade de nenhum grupo. Os americanos e líderes iraquianos estão atribuindo a carnificina (terça-feira foi o dia em que houve o maior número de mortes desde a queda de Saddam Hussein) a pessoas com ligações com a organização Al-Qaeda. Uma carta enviada a um jornal árabe baseado em Londres, alegando ser da Al-Qaeda, nega o envolvimento da organização com os ataques. Pelo menos 15 pessoas foram presas por suposta ligação com os ataques. Em Bagdá e Karbala, centenas de pessoas compareceram nesta quarta-feira aos funerais para as vítimas dos ataques. |
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