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Atualizado às: 02 de março, 2004 - 12h36 GMT (09h36 Brasília)
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Série de ataques a xiitas no Iraque deixa mais de 100 mortos
Festival de Ashura, depois da explosão
Os xiitas celebravam o festival religioso de Ashura
Uma série de explosões abalou as cidades de Karbala e Bagdá, no Iraque, onde milhares de muçulmanos xiitas celebravam o festival de Ashura nesta terça-feira.

Nas duas cidades, o número de mortos passa de 100 pessoas, de acordo com autoridades locais.

Em Karbala, pelo menos seis explosões, em meio a uma multidão que acompanhava o festival religioso, deixaram 50 mortos. Em Bagdá, outras 58 pessoas foram mortas em um ataque com mísseis a uma mesquita xiita.

O festival religioso de Ashura é comemorado livremente no Iraque pela primeira vez em 30 anos. O evento chega a seu clímax nesta terça-feira e comemora a morte do imã Hussein, neto do profeta Maomé, em 680 d.C.

A morte de Hussein é celebrada com cânticos rítmicos e auto-flagelações rituais dos devotos, todos vestidos de preto. O festival de Ashura era severamente restrito no período do ex-líder iraquiano Saddam Hussein.

Rebelião

Saddam temia o potencial do festival de massas de fomentar rebeliões, segundo Heba Saleh, da BBC.

Muitos dos devotos que estão em Karbala neste ano viajaram ilegalmente do Irã que, como o Iraque, tem uma população de maioria xiita.

Muitos visitantes estão dormindo em barracas ou nas ruas e voluntários estão lhes fornecendo alimentos.

A segurança é alta, com barreiras miltares em toda a volta de Karbala. Militares poloneses estão policiando as entradas da cidade e milícias religiosas estão guardando os locais sagrados.

Repressão

A morte de Hussein nas mãos do califa Yazid consolidou a cisão entre sunitas e xiitas sobre quem deveria liderar o islamismo.

Os xiitas eram reprimidos durante o regime de Saddam Hussein, dominado pelos sunitas.

A celebração da Ashura era limitada pela proibição do ritual de auto-flagelação e corte da pele.

No período de Saddam Hussein, peregrinos do Irã – que esteve em guerra com o Iraque de Saddam Hussein – não eram benvindos a Karbala, um dos lugares mais sagrados para os xiitas.

Pressão

Outros líderes antes de Saddam Hussein procuraram limitar os rituais de massa dos xiitas, de otomanos aos britânicos no século passado.

O clímax de Ashura acontece nesta terça-feira, um dia depois de o Conselho de Governo interino do Iraque ter concordado em relação a uma versão da constituição.

Hussein Ashestani, um dos devotos em Karbala, disse que o protesto político é uma parte central de Ashura este ano.

"Muitas pessoas estão vindo para expressar sua determinação em exercer seu papel político e falar em voz alta", disse Ashestani.

"Eles estão insistindo que não aceitamos outra coisa se não eleições e não reconhecemos um órgão não eleito."

Um grupo de cerca de 150 estudantes da Universidade de Bagdá gritava slogans antiamericanos como "Abaixo, Abaixo a América", enquanto queimavam a bandeira dos Estados Unidos.

A celebração deste ano coincide com a crescente dominação dos xiitas no Iraque pós-Saddam, despertando receios de que militantes sunitas descontentes possam perturbar o Ashura.

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