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Análise: Ataques no Iraque expõem tensões religiosas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Ataques a mesquitas ou líderes religiosos têm o poder de expor imediatamente as profundas tensões entre xiitas e sunitas no Iraque pós-Saddam. Integrantes enraivecidos de cada comunidade, com freqüência, culpam a outra quando suas instituições são atacadas, ou acusam por cumplicidade ou negligência os responsáveis pela ocupação liderada pelos americanos . Depois de alguns ataques, pessoas culparam Israel ou, embora possa parecer improvável, os americanos. Sunitas e xiitas têm sido afetados pelo que parece ter diferentes tons de violência sectária. Perdas Para a maioria xiita do Iraque, o carro-bomba que matou o clérigo Muhammad Baqr al-Hakim e dezenas de outros na cidade sagrada de Najaf, em agosto de 2003, foi um evento sem paralelos por sua perversidade. Outros ataques se seguiram, culminando com as bombas do festival de Ashura, nesta terça-feira, quando centenas de milhares de muçulmanos xiitas se dirigiam aos santuários de Karbala e Bagdá. Os sunitas também tiveram suas perdas – em escala muito menor –, refletindo um conflito sectário indecente, que se desenvolve devagar e que raramente chega ao noticiário. Em outubro passado, em poucos dias, três tiroteios mataram sunitas que saíam de mesquitas no oeste de Bagdá. Moradores atribuem todos a atiradores xiitas. Nenhum deles foi noticiado amplamente. Alvos A mesquita é um alvo óbvio para a vingança sectária ou para qualquer um que queira aumentar as tensões religiosas no Iraque. As mesquitas são exclusivamente de xiitas ou sunitas e, portanto, os atacantes correm pequeno risco de ferir pessoas de sua própria comunidade.
Esses são alvos tentadores para qualquer um que queira ampliar um conflito religioso no depósito de inflamáveis em que se tranformou o Iraque pós-Baath. Ataques contra as forças da coalizão, a polícia civil ou as instituições internacionais causam confusão ou orgulho entre iraquianos, dependendo de seus pontos de vista em relação à presença dos Estados Unidos. Mas ataques a mesquitas levam as pessoas para as ruas, clamando por vingança. Objetivos políticos Tensões entre xiitas e sunitas estão raramente ausentes de qualquer país muçulmano onde os dois grupos vivem em proximidade. As tensões derivam de uma rivalidade inerente entre as duas comunidades, um cisma que há 1,4 mil anos viu o surgimento do xiismo em oposição à tradição ortodoxa sunita. Mas, no Iraque, elas estão ligadas a anos de opressão dos xiitas sob o regime (sunita) de Saddam Hussein. E agora, os dois lados, junto com outros grupos étnicos, estão manobrando pelo poder no Iraque do futuro, cuja formação constitucional está sendo decidida. Para aqueles que querem causar problemas para os americanos, existe a vantagem adicional de que ataques a mesquitas provocam grande amargura contra os ocupantes do Iraque. Pela legislação internacional, os poderes ocupantes são responsáveis pela segurança da população que está sob o controle deles. Mas como um analista disse recentemente, o Exército americano está ocupado demais com a própria segurança para se preocupar com os civis sob seus cuidados. A falta de proteção em áreas tão sensíveis cria raiva e ressentimento que alimenta o sentimento antiamericano. |
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