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Embaixada já tem planos para retirar brasileiros do Haiti | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O embaixador do Brasil no Haiti, Armando Boizon Cardoso, disse à BBC Brasil que já há planos para tirar do país os brasileiros que lá vivem, caso a crise política no país se intensifique ainda mais. Cerca de 20 brasileiros, a maioria freiras que trabalham em missões assistenciais, vivem atualmente no Haiti e acompanham com apreensão os últimos fatos no país. Pelo menos 50 pessoas já morreram em episódios de violência política no Haiti desde o dia 5 de fevereiro. Nesta sexta-feira, pelo menos 20 ficaram feridas em Porto Príncipe em um confronto entre estudantes, que querem a renúncia do presidente Jean-Bertrand Aristide, e simpatizantes armados do presidente. "Se o aeroporto (da capital) for fechado, vamos tentar organizar uma caravana junto com embaixadas de outros países latino-americanos para fugir do país pela fronteira com a República Dominicana", disse Cardoso. O embaixador, contudo, disse que ainda não sabe o que poderá ser feito caso a fronteira também esteja fechada. Na espreita "Todo mundo fica na espreita, para o caso de ter que sair correndo", disse à BBC Brasil uma brasileira que se mudou para o Haiti há quatro anos e não quis se identificar. Segundo ela, as condições de vida no país, que já eram difíceis, pioraram ainda mais nos últimos anos. "O que mais se sente falta, vivendo aqui, é caminhar na rua. Eu vou de casa para o trabalho, do trabalho para o mercado e, depois, de volta para casa", disse, queixando-se da violência. "Sempre houve sequestros, mas eles têm aumentado muito", completou. Ela também não esconde seu temor em relação à situação política do país. "Todo mundo tem receio, porque você pode sair na rua e levar um tiro", disse. Ela também se queixou das cenas chocantes que disse ter visto em diversas ocasiões no país, envolvendo cadáveres desfigurados. "Conhecia uma médica que ficou traumatizada com o que ela viu por aqui e teve que sair", disse ela. Guerra civil Um outro brasileiro que vive em Porto Príncipe, Djair Theophilo Bezerra, tem menos medo de se envolver com o que está acontecendo no país. "Eu não sou haitiano, mas já estou envolvido no meio haitiano. Moro aqui há oito anos, tenho dois filhos haitianos", disse o funcionário de uma empresa farmacêutica. Crescido no Recife, Djair se mudou para o Chile e, depois de uma visita ao Haiti, apaixonou-se por uma haitiana e arranjou um emprego. Mesmo separado de sua parceira, decidiu continuar no Haiti. Ele disse que assistiu a uma manifestação contra Aristide realizada no dia 15 de fevereiro e que isso o ajudou a entender porque as pessoas querem a saída do presidente. "O que eu vi foi muitas pessoas com armas ditando para as pessoas onde elas podiam ou não podiam ir, fazendo pressão, dando ordens, ao lado da Polícia, que não fazia nada", disse ele, se referindo aos chamados chimères, simpatizantes armados do presidente Aristide. Djair não esconde suas preocupações com as possíveis consequências das dificuldades políticas vividas atualmente pelo país. "Eu espero que não aconteça o que a maioria das pessoas pensa que vai acontecer. O que temos mais aqui no momento são manifestações contra o presidente, mas antes não havia confrontos. Agora, tem", disse. "Espero que não haja uma guerra civil. Porque, se continuar dessa maneira no Haiti, com as pessoas se armando e tomando cidades no interior, vai haver muito mais choques entre grupos rivais." |
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