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Crise no Haiti pode matar de fome 40 mil crianças, diz ONU | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Programa de Alimentação da ONU disse à BBC Brasil que 40 mil crianças correm o risco de morrer de fome no Haiti neste ano em conseqüência da crise politica no país. As agências de ajuda humanitária estão tendo dificuldade para levar assistência a regiões do país que foram tomadas por rebeldes. O Haiti é o país mais pobre das Américas, e grande parte de sua população depende do trabalho das agências humanitárias. O agravamento da crise politica está exigindo que essas agências aumentem sua presença no país. A Cruz Vermelha Internacional, por exemplo, começou há cerca de dez dias a enviar comboios com remédios e kits de primeiros socorros às regiões afetadas pela crise. Além disso, a partir da semana que vem, a organização começa a montar uma base na cidade de Cap Haitien, no norte do país. Crise humana O chefe da missão da Cruz Vermelha no Haiti, Felipe Donoso, disse que a crise política pode ter consequencias graves para o país. "O país já vive uma crise humana, mais isso vem de antes mesmo do início da crise política", disse. "Obviamente, num cenário de instabilidade que inclui grupos armados, a situação pode ficar ainda pior." Sem contar as conseqüências da crise política, o Programa de Alimentação da ONU precisa de mais US$ 3 milhoes, além dos US$ 10 milhoes que já garantiu, para poder cumprir seu objetivo para este ano no Haiti. Um dos principais problemas do país é que cerca de metade dos alimentos que consome tem que ser importada. A falta de comida é maior no norte, onde os rebeldes têm estado presentes ultimamente. Segundo o diretor do órgão no Haiti, Guy Gaudreau, se a situação piorar por causa da crise, vão ser necessários mais US$ 10 milhões. "Calculamos que entre 70 e 80 mil criancas morrem no Haiti por ano por falta de alimentos. Isso antes da atual crise", disse ele. "No atual quadro, se houver um colapso das condições econômicas e menos pessoas puderem trabalhar, (...) em 2004 até 120 mil crianças, ou 40 mil a mais do que o esperado, podem morrer de fome no país." Rebeldes As agências humanitárias estão tendo que dialogar constantemente com os rebeldes para ver os alimentos e remédios chegarem às regiões mais necessitadas. "Nós, por enquanto, não estamos trabalhando em todas as regiões do país", disse Donoso, da Cruz Vermelha, explicando que, "felizmente, até agora, nenhum comboio nosso foi atacado". Mesmo assim, nos dias 8 e 9 de fevereiro, a organização tentou enviar ajuda às cidades de Saint Marc e Gonaives, a última sob controle rebelde, mas foi impedida pelos rebeldes. Nesta semana, porém, dois comboios chegaram sem problemas a Gonaives: um na segunda-feira e outro nesta sexta. Para tentar evitar ataques, a organização realizou entendimentos com os rebeldes e membros do governo na semana passada, obtendo garantias dos dois lados. Mas outra preocupação da organização permanece: episódios de violência têm sido registrados em hospitais, com feridos sendo ameaçados por rivais políticos. Sem comida há semanas No caso do Programa de Alimentacao da ONU, a situação é mais grave. "As 268 mil pessoas nos três Estados do norte que dependem da comida enviada por nós não a recebem há três semanas por causa do bloqueio dos rebeldes", disse Guy Gaudreau. Ele explica que há muita insegurança nas estradas e que o órgão não pode se arriscar a perder mais carregamentos. Os comboios do programa sofreram oito ataques dos rebeldes em janeiro. Para contornar as dificuldades, o Programa de Alimentação da ONU vai levar de barco, na segunda-feira, um carregamento de alimentos para Cap Haitien. Já a Cruz Vermelha quer montar uma base avançada na mesma cidade e deve continuar enviando comboios como vem fazendo, mas informou que poderia ampliar sua assistência caso a crise se agrave. |
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