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Haiti não precisa de força estrangeira, diz oposição | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O porta-voz da maior organização política de oposição do Haiti, a Convergência Democrática, disse à BBC Brasil que o país, ao contrário do que diz o governo, não precisa de tropas estrangeiras para resolver sua crise interna. Paul Denis reagiu à declaração do primeiro-ministro haitiano, Yvon Neptune, que reiterou nesta quarta-feira o desejo do governo de que tropas internacionais sejam enviadas ao país. “Quando a guarda nacional tem que se confrontar com traficantes de drogas armados (...) que inventam todo tipo de pretextos políticos para suas ações e para semear morte e destruição, é dever da comunidade internacional se envolver”, afirmou Neptune. “Nós não pedimos o envio de tropas ao Haiti”, disse o porta-voz da Convergência Democrática. “A comunidade internacional pode fazer pressão sobre o governo, sobre (o presidente Jean-Bertrand) Aristide, para afastá-lo do poder. Não precisa enviar tropas.” Fuga da polícia As declarações foram feitas um dia depois de o ministro das Relações Exteriores francês, Dominique de Villepin, ter indicado que a França estaria disposta a enviar tropas de paz, enquanto os Estados Unidos reiteraram que não têm intenção de fazê-lo. Nesta quarta-feira, os rebeldes do país continuaram avançando pela província central do Haiti - depois de terem conquistado na segunda-feira a capital da província, Hinche. Rádios haitianas informaram que a Polícia fugiu de várias cidades do centro do país, temendo a ação dos rebeldes. Segundo informações da rádio Metropole, pelo menos seis cidades teriam sido abandonadas pelos policiais, entre elas Mirebalais e Cascahobes. Ainda de acordo com a rádio, os policiais teriam fugido para Porto Príncipe. Nenhum membro do governo foi encontrado pela BBC Brasil para confirmar as informações. Manifestação A Convergência Democrática, uma coalizão que reúne 12 partidos políticos de variadas ideologias, quer a renúncia imediata do presidente Aristide. Para Paul Denis, que foi do partido do presidente Aristide e ocupou o posto de senador entre 1995 e 1999, Aristide não tem mais controle sobre o país.
“A polícia e os chimères (como são conhecidos os simpatizantes armados do presidente Aristide) não têm moral para combater os opositores armados”, disse. Em Porto Príncipe, a oposição anunciou que pretende realizar nesta sexta-feira uma nova manifestação pela saída do presidente Aristide. A última manifestação, ocorrida no domingo, teve a participação de milhares de estudantes, que chegaram a entrar em confronto com a tropa de choque da polícia. Organizações como a Convergência Democrática e o Grupo 184 (que reúne organizações da sociedade civil) querem a renúncia de Aristide, mas dizem não apoiar a violência dos grupos armados que estão agindo no interior. “Nós não temos contato com eles”, disse Paul Denis. “Queremos uma solução pacífica para a situação.” Desde o dia 5 de fevereiro, quando os rebeldes iniciaram uma ofensiva no oeste haitiano, mais de 50 pessoas morreram em episódios de violência política no país. |
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