|
Estudantes vão às ruas contra presidente do Haiti | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Milhares de pessoas, a maioria estudantes, entraram em confronto com a polícia neste domingo em uma manifestação em uma das principais ruas do centro de Porto Príncipe, capital do Haiti. "Liberdade! Liberdade!", gritavam os manifestantes, alguns deles com os rostos cobertos com lenços e usando como capa a bandeira haitiana. Os estudantes pediram a saída do presidente Jean-Bertrand Aristide, a quem acusam de corrupção, abusos dos direitos humanos e de ter sido eleito em eleições consideradas fraudulentas em 2000. A manifestação contra o presidente, que havia sido originalmente marcada para a quinta-feira, foi adiada depois que simpatizantes de Aristide ergueram barricadas nas ruas e jogaram pedras nos que tentaram realizar a passeata. Tensão A marcha deste domingo começou por volta das 10h (12h em Brasília), com os jovens seguindo pela rua Delmas – uma das principais ruas comerciais do centro – e gritando palavras de ordem contra o presidente. O que começou como um protesto pacífico logo mudou de tom. Quando surgiu o boato de que o membro de um grupo simpatizante de Aristide estava escondido em uma casa perto da rua por onde passava a multidão, os estudantes começaram a jogar pedras na casa suspeita Pouco depois, a tropa de choque da polícia chegou – em pequeno número para a quantidade de manifestantes. Os policias traziam rifles de grosso calibre, que não pareceram intimidar a multidão, Os que tentaram dialogar com os estudantes foram logo cercados por dezenas deles, muitos dos quais exaltados e gritando. Depois de provocações por parte dos estudantes, a polícia fez vários disparos de advertência para o alto com os rifles e lançou bombas de gás lacrimogêneo, dispersando a multidão. Pelo menos dez pessoas teriam sido presas. Críticas Os jovens não poupam críticas ao presidente e dizem que com ele no poder não há a menor possibilidade de diálogo para diminuir a tensão política neste país caribenho de aproximadamente 8,3 milhões de habitantes. "Ele é um assassino, um traficante de drogas", afirmou um dos manifestantes à BBC Brasil. "Ele não pode viver conosco neste país." O estudante, aparentando 20 anos, depois se recusou a dar uma entrevista a uma equipe de televisão, dizendo temer por sua vida. "Eles (os simpatizantes do presidente) me conhecem. Vão me matar." Silvan Michel, um articulado estudante de agronomia, que fala espanhol com fluência, explica de onde vem tanta revolta com Aristide. "Ele está acabando conosco, porque não há segurança, não podemos estudar, não há trabalho. Ele tem que se afastar se quiser fazer algo por nós." "Culpado" Michel culpa o próprio presidente pela violência no oeste e no norte do país, onde rebeldes armados que também querem a renúncia controlam inúmeras cidades, entre elas Gonaïdes, a quarta maior do país. "Foi ele que deu esse tipo de armas a eles ", disse o estudante. "Ele matou líderes, como o de Gonaïdes, o de Cité Soleil (uma favela em porto Príncipe) e Cap-Haïtien (a terceira maior cidade do Haiti, com cerca de 100 mil habitantes). Por isso (agora) há tantos problemas." Juneau Bato, diretor de uma organização universitária de oposição, a Mored, acha que "as pessoas em Gonaïdes são diferentes" dele e dos outros manifestantes em Porto Príncipe, e que isso pode ser uma das explicações para o fato de a cidade ter caído nas mãos dos rebeldes. "Eles têm um ponto de vista diferente. Nós somos democratas e pacifistas, não temos a intenção de lutar (com armas) contra Aristide", comparou o estudante. Em uma reunião na semana passada, os Estados Unidos e a comunidade caribenha (Caricom) pediram para que a tensão política no Haiti seja resolvida de forma pacífica e por vias constitucionais. Mas, para Bato, ao invés de pregar o diálogo entre Aristide a oposição haitiana, a comunidade internacional deveria pressionar o presidente a renunciar. O governo reclama que a oposição se nega a dialogar. Em uma entrevista na semana passada, o presidente Aristide chamou os membros a oposição de terroristas que temem a democracia. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||