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Atualizado às: 12 de fevereiro, 2004 - 03h16 GMT (01h16 Brasília)
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Presidente do Haiti diz que não vai renunciar
Haiti
O corpo de um oposicionista do governo haitiano em uma montanha na cidade de Saint-Marc
O presidente do Haiti, Jean-Bertrand Aristide, afirmou nesta quarta-feira que não pretende deixar o poder antes do final de seu mandato, apesar da violência no país.

"Eu vou deixar o palácio (presidencial) em sete de fevereiro de 2006", disse Aristide, em sua primeira entrevista coletiva no Haiti desde que a crise no país se intensificou, na quinta-feira passada.

Pelo menos mais três pessoas morreram nesta quarta-feira no país em confrontos entre oposicionistas e simpatizantes na cidade de Saint-Marc, sobre a qual o governo diz ter retomado o controle.

Com as mortes, subiu para pelo menos 46 o total de mortos no país desde a quinta-feira, quando oposicionistas armados começaram a tomar cidades no oeste do país.

Trinta e dois golpes

"O Haiti já sofreu 32 golpes de Estado. É muito. Não devemos continuar indo de um golpe de Estado a outro. Nós temos que ir de eleições democráticas para eleições democráticas", completou.

De acordo com a agência de notícias France Presse, Aristide também disse que "terroristas" estão aliados à oposição.

Jean-Bertrand Aristide
 O Haiti já sofreu 32 golpes de Estado. É muito. Não devemos continuar indo de um golpe de Estado a outro. Nós temos que ir de eleições democráticas para eleições democráticas.
Jean-Bertrand Aristide

"Eles (a população) sofrem com um pequeno grupo ligado à oposição (...) que agem em nome da oposição".

Além de Saint-Marc, outras cidades do país também registraram episódios de violência nesta quarta-feira.

Em Cap-Haitién, a segunda maios cidade do país, houve um blecaute depois que um depósito de comida foi invadido e saqueado.

ONU e Estados Unidos

Segundo a correspondente da BBC nas Nações Unidas Susannah Price, uma equipe da ONU está no momento no Haiti avaliando como estão as condições do país em áreas como assistência médica, educação e alimentação.

O grupo também está elaborando um plano de emergência para o caso da situação piorar no país.

Por sua vez, os Estados Unidos manifestaram sua preocupação com a situação do país e pediram que os direitos humanos sejam respeitados.

"Nós estamos extremamente preocupados com a onda de violência que está tomando o Haiti, e nós certamente lamentamos profundamente a perda de vidas", disse o porta-voz da Casa Branca, Scott McLellan.

Ele disse também que Washington apóia os esforços de mediação liderados pelo Caricom (comunidade do Caribe, grupo que une os países da região).

Um representante de uma agência de ajuda humanitária ouvido pela agência Reuters disse que o Departamento de Estado americano tem planos de transportar até 50 mil haitianos para a base de Guantánamo, em Cuba, caso a violência cause a fuga da população.

Os oposicionistas no Haiti querem a renúncia do presidente Aristide, a quem acusam de ter sido reeleito no ano 2000 em eleições consideradas fraudulentas.

Na quinta-feira, os rebeldes começaram a tomar cidades no país, mas nesta semana o governo contra-atacou, retomando o controle de algumas delas.

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