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Entenda a crise política no Haiti
O que está por trás das atuais manifestações e da greve geral? A oposição no Haiti espera que as atenções da comunidade internacional por causa dos 200 anos de independência do país ajudem a por fim ao regime de Jean-Bertrand Aristide, contra o qual se colocam desde as disputadas eleições de 2000. Os opositores do presidente temem que ele estimule irregularidades nas eleições legislativas programadas para este ano e tente um terceiro mandato em 2005. Essas manifestações se tornaram cada vez mais violentas nos últimos meses, especialmente em zonas rurais como Gonaives e Cap-Haitien. Grupos de oposição e partidários do governo entraram em choque, deixando um saldo de vários mortos. Estima-se que o número de mortos desde setembro esteja entre 25 e 45 pessoas. Ambos os lados se culpam pela violência e, aparentemente, moradores das favelas mais pobres desejam dar apoio a quem pagá-los. Quem é a oposição? A principal oposição formou uma coalizão chamada "Grupo de 184" – supostamente o número de partidos políticos, associações cívicas, sindicatos e grupos empresariais que a compõem. A coalizão não tem um líder formal, embora o empresário André Apaid, detido por duas semanas no final de novembro, se coloque como seu porta-voz. Quais são as queixas da oposição? Originalmente, a oposição protestava contra a reeleição de Aristide em 2000 e alegava fraude nas eleições legislativas da época. Ela boicotou o Congresso e se recusou a cooperar com iniciativas do governo. Desde então, os opositores de Aristide passaram a reclamar da deterioração da situação econômica e da falta de diálogo político. Atualmente há um impasse em relação às eleições legislativas marcadas para este ano – não houve acordo sobre quem deve ser indicado para a comissão eleitoral que deve preparar o pleito. A oposição também se recusa a participar das eleições a menos que Aristide renuncie à presidência. Na semana passada, os oposicionistas pediram a formação de um governo de transição liderado por um representante da Corte Suprema, e um conselho de nove membros. Qual tem sido o envolvimento da comunidade internacional no Haiti? No dia 1º de janeiro deste ano o Haiti comemorou 200 anos de independência da França, o poder colonial que governou o país a partir de 1697. Em um ato público do presidente Aristide antes das comemorações ele pediu que a França desse ao país US$ 21 bilhões em "reparações". O governo francês não respondeu ao pedido. A influência da França no país é principalmente de ordem cultural, o sistema de educação ainda é baseado em princípios franceses e as aulas são dadas em francês. Em 1915, fuzileiros americanos invadiram o Haiti para resgatar a "dívida" do Haiti para com os Estados Unidos. Os americanos permaneceram no país por quase 20 anos e se retiraram diante da crescente resistência de rebeldes haitianos. Em 1994, forças americanas retornaram ao Haiti para ajudar a recolocar no poder o presidente Aristide. As Nações Unidas empreenderam uma missão para reorganizar a polícia, o Judiciário e dar ajuda humanitária. A ONU se retirou depois das eleições de 2000 sem atingir seus objetivos. Desde então, a Organização dos Estados Americanos fez várias tentativas de promover negociações entre o governo e a oposição. No momento, a organização ainda tenta mediar um acordo para a Comissão Eleitoral. |
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