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Haiti, país mais pobre da América, faz 200 anos
O Haiti está celebrando nesta quinta-feira os 200 anos de sua independência da França – e de uma história que nasceu com a esperança dos escravos liberados, mas que acabou sendo marcado por ferozes ditaduras e muita pobreza. O país mais pobre das Américas continua tomado de graves instabilidades políticas, e nos últimos meses o presidente Jean Bertrand Aristide vem enfrentando crescentes protestos. Em um discurso nas cerimônias de comemoração, Aristide prometeu ajudar aos pobres a gozar dos benefícios da independência do país. Mas a oposição a seu governo está cada vez mais ruidosa, principalmente no interior do país, e os principais adversários do presidente estão boicotando os festejos. Desde setembro, mais de 20 pessoas morreram em protestos anti-Aristide no Haiti. Escravidão Até o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, vem sendo alvo de críticas – isso porque aceitou um convite de Aristide para comparecer às comemorações.
Nesta quinta-feira, Mbeki disse que a data merece ser comemorada porque a independência haitiana foi um golpe mortal na escravidão. Mas, duzentos anos depois de um começo promissor, quando detinham uma das economias mais ricas das Américas, os haitianos não têm muito do que comemorar. Hoje, a renda média no país é mais de cinco vezes inferior à do Brasil, e estima-se que quatro de cada cinco haitianos vivam em situação de pobreza extrema. A independência foi conquistada depois que o general Jean-Jacques Dessalines derrotou um exército francês enviado por Napoleão para tentar garantir o controle da ilha. O século 19 viu uma sucessão de déspotas militares se sucederem no governo haitiano, e no século 20 o país voltou a ser ocupado por uma potência estrangeira – desta vez, os Estados Unidos, que lá ficaram entre 1915 e 1934. Duvalier Nos anos 40 e 50, três presidentes foram derrubados por golpes de Estado, e em 1957 teve início do período mais negro da história do país. Durante quase 30 anos, o Haiti foi governado pelos ditadores François Duvalier (cohecido como “Papa Doc”) e seu filho Jean-Claude Duvalier (“Baby Doc”), que implantaram um regime violento e opressor, com toques de misticismo e personagens macabros como os notórios Tonton Macoute, um exército privado que aterrorizava a população. “Baby Doc” foi deposto por um movimento popular em 1986, e eleições diretas ocorreram quatro anos depois, com a primeira vitória do sacerdote Jean Bertrand Aristide. Mas o período democrática teve curta duração – em 1991 Aristide foi derrubado por um golpe militar, exilou-se e só voltou três anos depois, quando os Estados Unidos enviaram 20 mil soldados para intervir no país. Aristide voltou a ser eleito presidente em 2000 e no ano seguinte sobreviveu a uma tentativa de golpe que deixou 13 mortos. Mas os últimos dois anos foram marcadas por crescentes distúrbios, com muitos críticos acusando Aristide de utilizar práticas pouco democráticas para se manter no poder. |
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