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Brasil apóia discussão sobre muro de Israel em Haia
O embaixador permanente do Brasil na ONU e delegado do país no Conselho de Segurança, Ronaldo Sardenberg, disse que o Brasil apóia a discussão no Tribunal Internacional de Haia da legalidade do muro que está sendo construído por Israel na Cisjordânia. O embaixador observou que o Brasil também tem posições fortes em relação ao conflito no Oriente Médio e admite que a balança pende a favor dos palestinos, por conta de o Brasil ter agora um governo do Partido dos Trabalhadores. “A posição do partido (dos Trabalhadores a favor da causa palestina) é conhecida e sem dúvida encontra reflexo na política externa brasileira”, disse. O embaixador diz que o Brasil apóia a fundação de um Estado palestino e a obediência às antigas resoluções da ONU, determinando a volta de Israel para as fronteiras anteriores à guerra de 1967. Costa do Marfim Sardenberg adiantou também que o Brasil vai votar a favor da proposta que será discutida na semana que vem no órgão de envio de tropas internacionais de paz à Costa do Marfim. O embaixador afirmou que durante o mandato do Brasil no Conselho de Segurança – que começou neste ano e vai até o fim de 2005 – o país vai defender uma atenção maior da comunidade internacional à África. "Os problemas na África são terríveis e acabam ficando em segundo plano por conta de discussões como o Iraque, o Afeganistão e o Oriente Médio", disse o diplomata.
"O Brasil acredita que há uma ênfase muito grande sendo dada a temas de segurança, o que sem dúvida é um assunto importante, enquanto a questão do desenvolvimento foi deixada de lado.” Língua portuguesa Sardenberg disse que o Brasil tem uma preocupação especial com os países da África Ocidental, que têm profundas ligações com a história brasileira. “Temos identificações muito profundas com os países desta região, inclusive étnicas, porque muitas pessoas foram levadas de lá para o Brasil durante o tempo da escravidão”, disse o diplomata. Segundo Sardenberg, o país também deve apoiar a renovação do mandato das forças de paz em Guiné-Bissau (que expira em março) “talvez em novas bases.” “O Brasil também está presidindo este ano o Conselho dos Países de Língua Portuguesa, e para nós é muito importante a aproximação com estas nações”, disse. Sardenberg observa que é muito positivo o fato de os países da África estarem começando a se unir para lutar pelo seu desenvolvimento. “Achamos que as coisas só funcionam quando os países tomam para si as responsabilidades pelo próprio desenvolvimento, e até agora a África era vista apenas como objeto da ação de outros países”, disse. Iraque
Mas o embaixador sabe que o tema que vai dominar o Conselho de Segurança durante os próximos meses é a situação no Iraque. Sardenberg explica que o Brasil vai esperar o relatório pedido pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, a respeito da situação política no país antes de se posicionar a respeito das eleições que devem escolher quem vai comandar o Iraque depois do fim do governo provisório implantado pelos Estados Unidos. “O secretário Kofi Annan, a quem apoiamos consistentemente, determinou o envio de uma missão de avaliação ao Iraque, e, quando esta missão chegar às suas conclusões, vamos tomar uma posição clara sobre o assunto”, disse. “Muito se fala sobre a necessidade de aumento da segurança no Iraque para que eleições possam ser realizadas, mas existe também a questão política que tem de ser avaliada.” Armas Sardenberg diz que as recentes declarações do investigador americano David Kay – dizendo que não há poca possibilidade de que existam armas de destruição em massa no Iraque – não deve reacender o assunto no Conselho de Segurança. “Sem dúvida essas declarações vão ter impacto nos países envolvidos, mas para a ONU esta questão já está encerrada”, disse. “No que diz respeito ao Conselho de Segurança, este já é um tema para historiadores.” Sardenberg observou que os inspetores da ONU, “inclusive o inspetor brasileiro, Roque Monteleone”, sempre disseram que “não havia indícios de armas de destruição em massa no Iraque”, embora sem descartar completamente a possibilidade.
Vaga permanente Sardenberg observa que o Brasil quer aproveitar a mudança do secretário-geral da ONU no ano que vem para reiterar sua aspiração por uma vaga permanente no Conselho de Segurança. “No ano que vem termina o mandato do secretário Kofi Annan, e achamos que vai ser um ótimo momento para se discutir a reformulação do conselho”, disse. Sardenberg diz que a instituição não reflete mais as necessidades do mundo, porque ainda traz um desenho do pós-Segunda Guerra Mundial e anterior a todo o processo de descolonização na África e na Ásia. “É muito estranho que hoje isto esteja assim, mas na carta das Nações Unidas o Japão e a Alemanha ainda são citados como potências inimigas”, exemplifica. Sardenberg diz que o Brasil nunca teve tanta exposição internacional quanto agora e acredita que é o momento de o país intensificar a luta pela antiga aspiração. “Existem momentos políticos diferentes, e o atual no Brasil é de muita criatividade”, disse. |
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