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'Eleição do Brasil deve ajudar campanha por vaga permanente'
A partir de janeiro de 2004, caberá ao embaixador Ronaldo Sardenberg ocupar a vaga rotativa do Brasil no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Na entrevista exclusiva que Sardenberg concedeu à BBC Brasil após a eleição brasileira, na qual o país conquistou 177 dos 182 votos válidos, ele diz que as dívidas do Brasil não devem atrapalhar o projeto de conseguir uma vaga permanente no grupo, já que o país vai mostrar intenções de saldá-las. O embaixador afirma que a presença do Brasil deve facilitar a candidatura e comenta a disputa com a Argentina por uma vaga no conselho, dizendo que a questão é "diplomática". Para ele, os argentinos votaram no Brasil na eleição secreta e seriam incapazes de ter votado neles próprios, apesar de terem recebido um único voto na eleição secreta. Leia abaixo a entrevista completa. BBC Brasil – Qual o significado da eleição brasileira para o Conselho de Segurança? Ronaldo Sardenberg – Esta é certamente uma eleição importante. É a nona vez que o Brasil se elege para o Conselho de Segurança, e o Brasil é o país que mais vezes foi eleito para o Conselho de Segurança. Desde 1998, esta é a quarta vez que nós estaremos cumprindo mais dois anos, portanto oito anos de participação no Conselho em anos recentes. Isso se explica por uma atividade (brasileira) nas Nações Unidas e pelo reconhecimento dos países membros de que o comportamento do Brasil e o desempenho são bons e estão de acordo com as normas do direito internacional, com a Carta das Nações Unidas. Este é o aspecto fundamental. A importância do Conselho é que ele se dirige às questões de paz e segurança, que estão entre as questões mais complexas da ordem internacional. Nós sabemos que no próximo ano estarão em pauta a questão do Iraque, a questão da Palestina, que tanto se agravou ultimamente, várias questões africanas: o Congo, a Libéria, Serrra Leone e outras que ocupam 60% da pauta na realidade do Conselho, de maneira que é um período muito interessante e muito desafiador. BBC Brasil – De que maneira esta eleição pode acelerar a candidatura brasileira a uma vaga permanente no Conselho de Segurança? Sardenberg – Este é um processo que está vinculado ao processo de reforma das Nações Unidas, que provavelmente culminará no ano de 2005, e a presença seguida do Brasil no Conselho, o desempenho que nós temos dado devem ajudar a candidatura brasileira. Agora, é claro que este tema não se restringe especificamente ao Conselho. O Brasil continuará a atuar na Assembléia Geral das Nações Unidas e na diplomacia bilateral, nas capitais dos países membros para manter esse apoio. BBC Brasil – Houve aquele único voto para a Argentina na eleição. Será que ele foi da própria Argentina? Sardenberg – Não, eu tenho certeza de que não. BBC Brasil – O senhor acha então que a Argentina votou pelo Brasil? Sardenberg – Absoluta. Os argentinos são muito elegantes, eles não fariam isso (votar contra o Brasil). Inclusive, eu conversei depois com o embaixador da Argentina (Arnoldo Listre), com quem me encontrei por acaso, e tenho certeza de que ele é um grande amigo do Brasil. BBC Brasil – E como fica a disputa com a Argentina por uma vaga no Conselho de Segurança? A Argentina tem dito que deseja uma vaga permanente para os países da América Latina e do Caribe, mas com a ressalva de que seja rotativa entre esses países. Sardenberg – Olha, a Argentina tem tomado várias posições. A mais recente, inclusive, é não desejar o aumento do número de membros permanentes. Mas esse é um tema que é claramente do tipo diplomático e envolve todo um processo de negociações, de esclarecimentos recíprocos. Enfim, um dos dados centrais é a própria iniciativa brasileira, e o fato de que o Brasil é reconhecido amplamente como um bom candidato. Nós tivemos no debate geral, agora há poucas semanas, três dos cinco membros permanentes (França, Grã-Bretanha e Rússia) mencionando o Brasil expressamente como candidato adequado à posição de membro permanente, e vários outros países também. De maneira que essas coisas são conseguidas com a formação de um consenso mais amplo. E nós vamos ver o que vai ocorrer até 2005. Nós esperamos que a presença do Brasil no Conselho facilite o andamento da candidatura brasileira. BBC Brasil – Como o senhor pretende lidar com o fato de que o Brasil tem uma dívida de cerca de US$ 200 milhões com as instituições multilaterais? Sardenberg – Olha, eu posso responder pela dívida das Nações Unidas, que é uma dívida de US$ 61 milhões. É uma dívida grande. A nossa expectativa é de que no decorrer deste ano nós pagaremos mais de US$ 24 milhões. O governo já pediu ao Congresso a suplementação dos recursos orçamentários para este fim. E nós esperamos que nós tenhamos esses recursos, de maneira que a gente demonstre a nossa intenção de pagar, apesar das dificuldades econômicas que atravessamos. |
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