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Brasil e Síria trocam promessas de apoio político
Apesar da ênfase comercial da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Oriente Médio, no primeiro dia da visita à Síria os governos dos dois países deram passos na direção da aproximação política. Do lado brasileiro, o governo petista reforçou o apoio à uma resolução pedida pela Síria na ONU (Organização das Nações Unidas) para que Israel devolva ao país as Colinas de Golã, ocupadas pelos israelenses desde 1967. A Síria espera que a nova resolução seja votada na ONU ainda neste mês. Do lado sírio, o sinal mais claro de aproximação foi dado pelo presidente Bashar Al-Assad. O assessor especial do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, disse que Al-Assad deixou evidente seu apoio ao desejo do Brasil de conquistar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. Influência “Não há um apoio oficial à proposta brasileira, mas ele mostrou muita simpatia ao desejo do país”, disse Garcia. A atitude foi comemorada, embora o apoio do país do Oriente Médio não tenda a ter grande influência nas pretensões brasileiras na ONU. O Brasil defende uma reformulação do Conselho de Segurança que incluiria a ampliação do número de membros permanentes – hoje, o Conselho tem cinco membros permanentes com direito a veto (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China). O governo brasileiro não definiu, em uma posição oficial, se aceitaria ou não se tornar membro permanente sem direito a veto – uma das possibilidades levantadas por especialistas na ONU. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, porém, deu uma dica sobre a postura brasileira em relação ao assunto. “O Brasil não quer um assento permanente para ter poder de veto”, disse ele. O governo Lula também deixou claro seu apoio à uma solução pacífica para a crise entre israelenses e palestinos. O Brasil defende um Estado palestino soberano, que conviva lado a lado com Israel. “Essa é uma posição que já defendíamos e que reforçamos agora”, disse Amorim. Gafe Para quem acompanhou de perto os encontros dos dois presidentes, a impressão é que eles se deram bem. O único momento de constrangimento ocorreu durante o jantar que reuniu os dois líderes na noite de quarta-feira, no Palácio Damasceno, no centro de Damasco, a capital síria. No final de seu discurso, Lula pediu um brinde “à felicidade” de seu colega sírio. Assad, diante de uma platéia de muçulmanos, que não bebem, não se moveu. Lula percebeu a negativa e também ficou parado. Em seguida, o presidente sírio quebrou o gelo cumprimentando o brasileiro. |
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