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Discurso 'moderado' deve inaugurar campanha de Bush
O discurso do Estado da União que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, vai fazer nesta terça-feira à noite deve na prática abrir sua campanha à reeleição. O discurso acontece um dia depois do cáucus dos democratas em Iowa, que deu ao senador John Kerry uma inesperada vitória. Mas Bush deve procurar ver além dos eventos recentes. Ele tentará apresentar os pontos fortes de sua administração, mas também terá de abordar as fraquezas. Bush ainda não sabe qual será o democrata que irá enfrentar. Iowa foi apenas o início da campanha. Por isso, ele terá de adotar uma estratégia ampla, e o tom de seu discurso deve ser moderado. 'Doutrina Bush' Seus pontos fortes se encontram em terras estrangeiras: na "guerra ao terror", que ele próprio declarou, e na "doutrina Bush", de intervenções preventivas. Um dos principais pontos no discurso deste ano deve ser que os Estados Unidos estão mais seguros com ele no comando. Bush deve, no entanto, procurar zelar por um tom mais flexível do que a impressão de pouca flexibilidade que a sua política tem passado. O Iraque, por exemplo, não foi tão bem como Bush esperava. Por isso, ele talvez precise destacar a oportunidade que o Iraque agora tem de desenvolver sua democracia em vez de insistir na remoção de uma duvidosa ameaça de armas de destruição em massa. Esquecendo o 'eixo' Segundo o jornal americano The New York Times, Bush deverá destacar a Líbia como um exemplo da maneira pela qual a pressão sobre um "Estado fora-da-lei" pode levá-lo a sofrer mudanças, sem ser preciso recorrer à guerra. A Líbia concordou em interromper o desenvolvimento de armas nucleares, biológicas e químicas e de permitir acesso a suas instalações nucleares. Ao enfatizar que a Líbia modificou sua atitude por meio de negociação e não guerra, Bush visa agradar os americanos (e seus críticos pelo mundo) que acham que as políticas são muito agressivas. O termo "eixo do mal" que foi usado pela primeira vez nesse mesmo discurso há dois anos, não deve aparecer novamente, da mesma forma que foi esquecido no ano passado. Eleitorado latino A política externa, no entanto, é a menor de suas preocupações. Uma pesquisa publicada pelo Washington Post e pela rede de televisão ABC revelou que a política interna é realmente o seu ponto fraco, apesar do apoio geral a Bush estar na casa dos 58%. Ele está na frente dos democratas em uma proporção de dois para um sobre políticas relacionadas com segurança interna, mas empata em outros assuntos. Bush vem tentando reverter a situação nas últimas semanas, promovendo, por exemplo, políticas para fornecer remédios para idosos e regularizando a situação de imigrantes ilegais. Fantasma do pai As iniciativas na área de imigração têm apelo junto ao eleitorado latino ao mesmo tempo em que não irritam demais o americano comum. O país sempre absorveu e foi de fato construído por ondas de imigrantes que forneceram a mão-de-obra necessária. O discurso, portanto, terá de se concentrar substancialmente no estado econômico e social da nação. O rápido crescimento da economia americana (e seus cortes de impostos) merecerá, sem dúvida, uma menção de destaque. Para Bush, no entanto, a lembrança do que aconteceu com seu pai nunca será esquecida. Ele também havia vencido uma guerra contra o Iraque, mas perdeu o emprego ao ser negligente com a economia. |
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