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Caio Blinder: Batalhas primárias
Para Howard Dean foi uma longa jornada da obscuridade à consolidação de sua candidatura até chegar ao Estado de Iowa, onde na segunda-feira começa a maratona do Partido Democrata para selecionar o seu desafiante contra o presidente republicano George W. Bush nas eleições de novembro. Pronto, o ex-governador do pequeno e excêntrico Estado de Vermont já é mais do que conhecido. Antes do início da maratona, Howard Dean desponta no primeiro pelotão. Ele chegou a esta posição como a voz do americano raivoso com Bush e com o difuso sistema (no qual, obviamente, Dean encaixa os demais pré-candidatos democratas). O espírito combativo, uma mobilização com energia da base e críticas sistemáticas à guerra no Iraque impulsionaram a candidatura de Dean. Mas ele agora é vulnerável na pós-fama, alvejado de forma incessante pelos adversários democratas enquanto os estrategistas republicanos assistem de camarote. Na imprensa, acabou o deslumbramento com o destemido doutor de Vermont. Basta ver duas capas recentes das duas principais revistas semanais americanas. Na Time é a pergunta "Quem É o Verdadeiro Dean"? Na Newsweek é o título "Dúvidas sobre Dean". Há questões sobre o temperamento de Dean, as contradições de suas posições (apoiava o Nafta, agora é contra) e o uso generoso de rótulos (é liberal da velha escola, centrista, conservador fiscal). Dean teve o endosso do ex-vice-presidente Al Gore, mas outros caciques partidários lamentam que ele careça do populismo otimista de Bill Clinton. Uma opinião manifestada com frequência é a de que o apoio a Dean bateu no teto e mesmo alguns dos partidários do ex-governador dizem que ele deveria articular uma mensagem que vá além da raiva. Evidentemente é insensato já falar da ascensão e queda de Howard Dean. Afinal esta é a jornada mais turbulenta para a escolha de um candidato democrata em uma geração. Mas este questionamento de Dean coincide com uma nova fascinação com o general da reserva Wesley Clark. Ele lançou sua campanha em setembro passado em meio às expectativas de que finalmente existia alguém capaz de deter Dean e assim livrar os democratas de um fiasco contra Bush em novembro. Mas o general decepcionou e por alguns momentos sumiu do radar. Decidiu inclusive nem concorrer em Iowa, guardando seus cartuchos para as primárias no Estado de Nova Hampshire no dia 27. Mas agora Clark cresce nas pesquisas e nas avaliações. Ele se mostra em condições de pressionar Dean. Novamente, Clark é visto como uma alternativa. Nos comícios, ele repete que "não está concorrendo para bater em Bush, mas para substitui-lo". A postura é crítica, expressando um sentimento anti-Washington, mas bem menos enfurecida e impetuosa do que a de Dean. Clark bate na tecla de que ele é o candidato ideal para atrair independentes e republicanos moderados em novembro, enquanto Dean é divisivo e os demais postulantes, antiquados. Assessores de Clark, apenas meio brincando, dizem que estão celebrando uma nova atitude dos demais pré-candidatos em relação ao general. Ele passou a ser fustigado com muito mais virulência nos últimos dias e isto mesmo antes do circo pegar fogo em Nova Hampshire. Pancada significa que Clark é uma ameaça crescente. O embate primário contra George W. Bush pode esperar. A guerra civil democrata ainda terá muitas batalhas. |
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