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Atualizado às: 14 de janeiro, 2004 - 16h33 GMT (14h33 Brasília)
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Caio Blinder: A linguagem política de George W. Bush

Um voto para George W. Bush. O presidente americano ao menos foi transparente e, em uma entrevista a jornalistas no México, admitiu que cálculos políticos estão envolvidos em sua proposta para regularizar a situação de trabalhadores ilegais no país.

A Cúpula das Américas ajudou Bush a aparar as arestas com o presidente mexicano Vicente Fox (que endossou o plano de imigração), mas pouco fez para diminuir o fosso que separa os EUA dos demais países-chaves do continente.

Como constatou o jornal Los Angeles Times, Bush é "profundamente impopular na América Latina"'. E pelo visto, o presidente parece muito mais empenhado em se tornar popular entre os eleitores de origem latino-americana nos EUA.

O plano de imigração, no entanto, não deve ser interpretado como uma tentativa de sedução grosseira para ganhar votos.

Crescimento

É verdade que a bloco eleitoral hispânico é o que mais cresce no país. Os hispânicos já superaram os negros como a maior minoria nos EUA. São 38,8 milhões de pessoas (ou 12,5% da população), sem contar a massa de ilegais.

Mas, como adverte Luis Plascencia, da Universidade do Texas, os latinos não constituem um bloco monolítico de eleitores.

Existe uma barreira, por exemplo, entre um empresário tataraneto de mexicanos no Estado do Colorado e um nicaraguense que lava pratos em restaurante da Flórida.

Uma imensa distância separa cubanos anticastristas pró-republicanos de ativistas do Partido Democrata de origem salvadorenha. E vale lembrar que um terço dos hispânicos na Califórnia votou a favor de uma proposta para negar alguns benefícios sociais para ilegais.

Bill Richardson, governador do Estado do Novo México e o hispânico no cargo mais alto no país, costuma se queixar dos estereótipos e observar que os eleitores latinos não são obcecados com sua identidade étnica.

Como os demais americanos, eles também tomam decisões de acordo com as posições de candidatos em economia, segurança nacional ou meio-ambiente.

Democratas

Mas não há dúvida que minorias étnicas e raciais continuam próximas do Partido Democrata, apesar de lentos avanços republicanos entre os hispânicos. Nas eleições do ano 2000, o candidato democrata Al Gore teve 62% do voto latino, enquanto Bush conseguiu 35%.

Uma pesquisa feita no começo de janeiro pelo Pew Hispanic Center, após a captura de Saddam Hussein e antes do anúncio do plano de imigração, revela que se as eleições presidenciais fossem realizadas hoje 47% dos hispânicos votariam em um democrata e 37% em Bush.

Luis Fraga, um professor da Universidade de Stanford que estuda o voto latino há 25 anos, diz que é fundamental para os estrategistas republicanos ampliar a fatia do voto latino em alguns Estados para alterar a composição do Colégio Eleitoral. Ou seja, existe uma diferença expressiva entre conseguir 35% ou 40% de apoio hispânico.

Fraga ressalta que, além de buscar a simpatia dos eleitores hispânicos, Bush tem um outro objetivo ao tomar nota da dura vida dos trabalhadores ilegais. Ele quer mostrar aos eleitores moderados que sua mensagem de conservadorismo com compaixão é para valer.

O desafio para Bush é manter sua base conservadora e expandi-la apenas o suficiente para garantir a reeleição. O presidente fala um espanhol rudimentar, mas sua linguagem política é mais sofisticada do que muitos adversários imaginam.

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