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Caio Blinder: Alguma coisa no ar
Nos ares e nas terras norte-americanas há um clima de terror, de inconveniência e de controvérsia. O alerta de ameaça foi elevado em dezembro para o código Laranja, o segundo mais alto; vôos internacionais têm sido cancelados, atrasados ou retornam após a partida; e diariamente, a partir desta semana, milhares de passageiros estrangeiros que conseguiram o bendito visto são tem que tirar impressões digitais e fotografias assim que chegam aos Estados Unidos. Num gesto de reciprocidade, um juiz matogrossense decidiu que passageiros brasileiros e americanos devem se irmanar no sofrimento. Está todo mundo fichado. No mundo pós-11 de Setembro, precaução e paranóia viajam juntas. As agências de informação nos Estados Unidos, como a CIA, ora são acusadas de excesso de zelo, ora de complacência. Preço da liberdade O que é realmente eficiente para prevenir o terror? Quando um governo está exagerando nas suas medidas? Alguns até exageram nas suspeitas em relação ao governo Bush. Especulações voam para tudo quanto é lado. Justamente agora que a campanha eleitoral decola, a Casa Branca quer mostrar serviço, e o secretário da Segurança Nacional, Tom Ridge, está onipresente.
O preço da liberdade não é apenas a eterna vigilância, mas também a confusão no jogo de cores na escala de alertas antiterroristas. A resposta oficial contra o ceticismo é o detalhismo. No passado, alertas contra o terror deixaram muitos americanos e estrangeiros mais perplexos do que preocupados. Era preciso fé no governo nas quatro vezes anteriores em que aconteceu o upgrade para o Código Laranja. E em cada vez o temido ataque do lobo mau Osama não se materializou. Como resultado, passou a existir um problema de credibilidade. A decisão da Casa Branca foi passar a elevar o status de alerta acompanhado de informações específicas e não de vagas advertências. Melhor o pânico do que o vexame. Alerta diferente Este alerta tem sido realmente bem diferente. Em contraste aos alertas amorfos do passado, as autoridades revelaram preocupações específicas com alguns vôos procedentes da Europa e do México. Também foram reveladas inquietações particulares de ataques contra as cidades de Washington, Nova York, Los Angeles e Las Vegas. Dos hotéis da cidade do jogo, o FBI exigiu os nomes de todas as pessoas hospedadas na virada do ano. Na versão de fontes oficiais, um dilúvio de inteligência indicava a iminência de ataques. A reação foram as mais drásticas medidas de segurança desde os atentados de 11 de setembro de 2001. Alarmes falsos Alarmes falsos foram se sucedendo, como o de um passageiro altamente suspeito em um avião da Air France que, no final das contas, era uma criança de seis anos. Funcionários da inteligência da Grã-Bretanha e da França confidenciaram ao calejado repórter da revista Newsweek Michael Isikoff que os americanos estão indo longe demais no seu alarme. Alguns até especulam que os Estados Unidos têm sido alvo de uma campanha de desinformação da rede Al-Qaeda. Mas quem pode garantir alguma coisa? Afinal, quando se impede um ataque terrorista nem sempre se sabe o que foi impedido. Dá para prever que o clima de terror e de insegurança nos ares e nas terras norte-americanas deve persistir por um bom tempo. |
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