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A Semana: Lula, Bush, xiitas e Michael Jackson
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou novamente nesta semana frente à frente com o colega americano, George W. Bush, desta vez na Cúpula das Américas, em Monterrey (México). Apesar dos sorrisos na hora do aperto de mãos, o encontro simbolizou os conflitos de interesse dos dois países, após uma semana de polidas negociações diplomáticas envolvendo o trânsito de turistas e o futuro da Alca (Área de Livre Comérico das Américas). No encerramento da cúpula, a declaração final mostrou que ambos os lados estavam dispostos a ceder em seus argumentos. O documento acabou incluindo uma referência à implementação da Alca, como queriam os Estados Unidos, mas sem citar explicitamente o ano de 2005, como conseguiu o Brasil. O presidente Lula também destacou os aspectos sociais da declaração final, como o apoio a sistemas de seguro-desemprego e programas de renda mínima nos países da região. Mas a solução para a polêmica envolvendo a entrada de turistas nos dois países ficou adiada. Lula pediu a Bush que os brasileiros fossem dispensados da exigência de visto para entrar nos Estados Unidos, e o presidente americano prometeu estudar o assunto. Sem acordo, o governo brasileiro decidiu assumir a política de cadastrar americanos que desembarcam em território nacional, que será mantida por pelo menos 30 dias. A fúria dos xiitas A resistência armada contra a ocupação ocidental no Iraque teve uma semana de relativo recesso, mas nem por isso as preocupações do administrador americano Paul Bremer diminuíram. Na sexta-feira, Bremer foi a Washington para discutir com seu chefe, George W. Bush, como controlar os insatisfeitos xiitas do sul do Iraque, que exigem eleições diretas para a nova Assembléia Nacional do país.
Na quinta-feira, dezenas de milhares de xiitas saíram às ruas de Basra para protestar contra os planos dos Estados Unidos de realizar um pleito indireto para compor o órgão. Aos gritos de "Não aos Estados Unidos, sim ao Iraque" e liderados pelo aiatolá Said Ali Hakim, os xiitas (vítimas do regime de Saddam Hussein) provaram que os problemas dos americanos não se resumem aos seguidores do ex-ditador. O'Neill x Bush A semana viu, pela primeira vez, um ex-membro do clã de George W. Bush se voltar contra o presidente. Paul O'Neill, ex-secretário do Tesouro, surgiu como o principal fonte de um livro que acusa o presidente de ter planejado a invasão do Iraque desde o início de seu governo. Pré-candiadatos democratas à Presidência aproveitaram a deixa para atacar Bush, que afirmou ter defendido no início de governo apenas uma mudança de regime no Iraque, a mesma que já desejava seu antecessor, Bill Clinton. Em ano eleitoral, esse debate deve voltar às manchetes em breve. Para o alto, e avante! Na quinta-feira, o presidente Bush deixou o Iraque de lado e anunciou que os Estados Unidos retomarão os vôos espaciais para a Lua até 2020, com novas naves que deverão substituir os já cansados ônibus espaciais. De volta a Lua, os Estados Unidos, de acordo com os planos do presidente, construiriam uma base para futuras missões de exploração do espaço. O orçamento para a nova aventura no espaço será de US$ 12 bilhões nos próximos cinco anos. Muitos aplaudiram, mas outros, como os políticos da oposição, disseram que o país tem outras prioridades para esse dinheiro. O fim do Dr. Morte A terça-feira amanheceu com a notícia de que o médico Harold Shipman, condenado à prisão perpétua pelo assassinato de 15 de seus pacientes, aparentemente se enforcou na prisão.
As autoridades britânicas rapidamente anunciaram uma investigação sobre as circunstâncias da morte daquele que ficou conhecido como "Dr. Morte". Mas tanto parentes das vítimas como parte da imprensa britânica lamentaram o fato de que Shipman levou para o túmulo muitos segredos dos seus crimes. Até hoje não se sabe ao certo quantos pacientes Shipman teria matado, e muitos chegam a estimar que o total chegue a 200. Europa x Europa Também na terça-feira, a Comissão Européia anunciou o início de um processo contra os governos dos países-membros da União Européia, por estes terem suspendido as regras do chamado pacto de crescimento e estabilidade da zona do euro. Pelas regras, nenhum país da zona do euro pode ter um déficit do orçamento maior do 3% do seu PIB. França e Alemanha já ultrapassaram esse limite por dois anos seguidos e devem fazê-lo novamente em 2004, mas os governos da UE decidiram recentemente não punir os dois países. Com o processo, a Comissão Européia, a quem compete cobrar o cumprimento das regras do bloco, inicia uma disputa com os próprios membros da UE. Isso em um ano em que o bloco recebe dez novos membros, a maioria ex-comunistas do Leste Europeu. A vez do frango Depois da vaca louca, agora é a vez de o frango ser o foco de uma doença preocupante. Na quarta-feira, a OMS (Organização Mundial da Saúde) alertou que a gripe do frango, que causou a morte de três pessoas no Vietnã, pode ser mais grave do que a Sars, a pneumonia atípica. Cientistas ainda investigam como a gripe passa das aves para os seres humanos, mas a primeira avaliação é de que isso ocorreria por meio do contato com animais infectados e não pelo consumo da carne. Olimpíada: dada a largada Rio de Janeiro contra Londres, Paris, Madri, Moscou, Nova York... Os adversários são de peso, mas mesmo assim a Cidade Maravilhosa está sendo considerada uma das favoritas para ser a sede da Olimpíada de 2012. As candidaturas foram oficialmente apresentadas na sexta-feira, e a escolhida será anunciada pelo Comitê Olímpico Internacional em julho de 2005. Jackson no tribunal A semana termina com mais uma imagem do superastro da música pop Michael Jackson cercado por milhares de fãs, jornalistas, policiais e câmeras de TV.
O cantor americano compareceu ao tribunal na cidade de Santa Maria, na Califórnia, para depor no caso em que é acusado de molestar sexualmente uma criança. Jackson, que reafirmou ser inocente, foi novamente exibido sendo cercado e revistado por policiais. Desta vez, nada de algemas. Na saída, o cantor fez um espetáculo à parte. Caminhando ao lado da irmã Janet, acenou seguidamente para os fãs, que demonstravam uma euforia digna de um show de música pop. Fórum Social Na sexta-feira, começou em Mumbai (Índia) a primeira edição do Fórum Social Mundial fora de Porto Alegre. O evento continua na próxima semana, terminando no mesmo dia em que começa em Davos (Suíça) o Fórum Econômico Mundial. |
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