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Brasil propõe aos EUA acordo para fim de vistos
O presidente Luis Inácio Lula da Silva entregou ao colega americano George W. Bush um documento pedindo que os dois países iniciem "de imediato" negociações de um acordo para acabar com a exigência de vistos para brasileiros visitando os Estados Unidos e vice-versa. Lula e Bush tiveram um encontro de meia hora em Monterrey na noite desta segunda-feira, aproveitando a presença dos dois líderes na Cúpula das Américas. O documento indica a intenção brasileira de ver o acordo assinado até meados deste ano. Acompanhavam o presidente Bush a assessora de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, e o secretário de Estado, Colin Powell, enquanto Lula tinha ao seu lado o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o assessor especial de relações internacionais, Marco Aurélio Garcia. Lula também teria reiterado ao presidente Bush um convite para que ele viste o Brasil. Vistos No documento entregue a Bush, o Brasil argumenta que há motivos para a dispensa do visto dos pontos de vista econômico e de combate ao terrorismo. No lado econômico, o documento levanta a intensidade dos vínculos de investimento, comércio e turismo e os esforços de ambos os países pela integração continental. O documento segue dizendo que no que diz respeito ao combate ao terrorismo, Brasil e Estados Unidos são signatários dos mesmo tratados e têm implementado recomendações internacionais sobre o assunto. O governo brasileiro destaca ainda que não há no Brasil qualquer tipo de atividade terrorista nem situações que poderiam levar a isso. Avaliação O acordo proposto pelo Brasil prevê um controle semestral do fluxo de viajantes e um acompanhamento do número de brasileiros presos nos Estados Unidos ou americanos presos no Brasil por estarem em situação irregular. O chanceler Celso Amorim teria questionado o fato de já haver vinte e sete países cujos cidadãos não precisam de visto para viajar aos Estados Unidos. "Se há vinte e sete, porque não vinte e oito?", teria perguntado o presidente Lula, segundo a assessoria de imprensa da presidência. O presidente Bush teria respondido a isso com um sorriso e um promessa de estudar o assunto. O Brasil também propõe que os dois países parem de tirar impressões digitais dos cidadãos do outro país até que as negociações sejam concluídas. "(As digitais e fotos seriam dispensadas) tão logo ambos os países estejam satisfeitos em relação à segurança dos respectivos passaportes, enquanto se negocia o texto do acordo que deveria estar pronto para assinatura, preferencialmente em meados de 2004." A Presidência da República não divulgou que outros assuntos foram discutidos na reunião. Venezuela A questão da integração comercial teria dominado as conversas entre Lula e os presidente do México, Vicente Fox, e da Venezuela, Hugo Chávez, que ocorreram mais cedo em Monterrey. "Discutimos várias questões de integração regional. O presidente Chávez se mostrou satisfeito com a abertura da linha de crédito do BNDES (de US$ 1 bilhão) para Venezuela e manifestou interesse em ter a Petrobras mais atuante na exploração de gás venezuelano", disse Celso Amorim O chanceler revelou que os dois presidentes também conversaram sobre a reunião do G-15, que será realizada em algum momento deste ano na capital da Venezuela, Caracas.
"O presidente Lula tem a intenção de ir, e só dependemos de a data ser conveniente", disse Amorim. Conflito O ministro das Relações Exteriores também não acredita que os contatos próximos de Lula com Chávez criem um ambiente delixado para as relações entre Brasília e Washington. O governo americano vem criticando duramente o venezuelano e recebendo respostas também duras. "Numa família, é possível que haja dois primos que não se gostem, mas que você se dê bem com os dois", comparou Amorim. Com o México, o encontro também se concentrou em relações comerciais. "É importante que nós dois aumentemos nosso fluxo de comércio", disse Amorim. Também na reunião que Lula terá na terça-feira com o colombiano Álvaro Uribe, temas comerciais devem ser os mais importantes. "Mas esta foi uma reunião pedida pelo Uribe", disse. |
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