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O poeta e o OBE
Pelo menos duas vezes por ano, na Grã-Bretanha, há farta distribuição de títulos e comendas. Cavaleiro do reino, ou sir, todo mundo conhece. Par do reino, ou lorde, está em vias de extinção, conforme debate que se prolonga há décadas e que, agora, o Partido Trabalhista, ora no poder, quer que uma determinada percentagem seja, ao menos, eleita, para o país ter "lordes do povo", assim como, segundo Tony Blair, teve Diana, a "princesa do povo". A discussão continua. E continua a concessão de honrarias menores que, ao menos no noticiário internacional, não pegam sequer uma menção. São os equivalentes às velhas comendas, nossas e de nossos avozinhos portugueses. Quem no Brasil sabe, por exemplo, que atores ou roqueiros foram distinguidos com MBE, OBE ou CBE? Ninguém. Sean Connery e Paul McCartney são sir. Isso todo mundo sabe. Mas que Sting teve pregado no peito um OBE, só mesmo uma bruta, ou um bruto, de um fã. A verdade é que, como se trata de coisa britânica, tem tradição no meio. Como arminho, carruagem e tiara. Um detalhe menor no meio do vasto teatro de pompa e circunstância que ainda reina – e aqui podemos dizer literalmente – na Grã-Bretanha, embora o Império tenha ido para a cucuia. Destrinchemos. MBE é “Member of the British Empire”, membro do Império Britânico. OBE é “Order of the British Empire”, ordem do Império Britânico. E finalmente CBE é “Commander of the British Empire”. Tudo bem. Tem gente que não acaba mais, orgulhosa para valer, de ter recebido no Palácio de Buckinhgam, da rainha, a medalhinha cuidadosamente guardada em casa. Na semana passada, o poeta rastafari Benjamin Zephaniah rejeitou de público um OBE da rainha em sinal de protesto contra a política do atual governo, inclusive a guerra no Iraque. O poeta rasta acrescentou que o legado colonialista o faz lembrar ainda de, como disse, “milhares de anos de brutalidade”, o que o lembrava do estupro de suas antecedentes e a brutalização de seus antecedentes. Zephaniah também não está nada satisfeito com Tony Blair que não esclareceu as, segundo ele, “circunstâncias suspeitas” da morte de um primo quando preso sob custódia policial. A recusa pegou primeira página e o Império continuou em frente, em forma da letrinha E. |
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