BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 31 de outubro, 2003 - 12h50 GMT (10h50 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Análise: Vôo do peru

O presidente americano, George W. Bush
Em campanha pela reeleição, Bush está com popularidade decrescente

Na quinta-feira, a Casa Branca tinha boas notícias para apregoar. Até que enfim. Não tinham sido encontrados Osama bin Laden, Saddam Hussein ou evidências de armas de destruição em massa no Iraque.

Mas para o presidente George W. Bush, com popularidade descrescente em meio a uma campanha de reeleição, era um alívio apresentar os dados surpreendentes de crescimento do PIB da maior economia do mundo no terceiro trimestre.

A expansão de 7,2% é a maior em 19 anos, ou seja, desde os tempos em que Ronald Reagan combatia, não o Eixo do Mal, mas o Império do Mal soviético, cortava impostos e inchava o déficit orçamentário.

De volta a 2003. Com a divulgação da espetacular cifra de crescimento de 7,2% (normal para os padrões chineses), Bush foi rápido para assumir pleno crédito pelo sucesso.

Confiança

O mapa da mina era o corte de impostos, que finalmente está impulsionando um consumo vigoroso e injetando confiança na economia.

A liderança do Partido Democrata, igualmente surpreendida com os números do terceiro trimestre, também foi rápida na tentativa de neutralizar os ganhos políticos para os republicanos.

Em uma frase de efeito, o senador Kent Conrad disse que "o plano da Casa Branca estimula a economia a curto prazo e mina o crescimento a longo prazo."

O ministro do Trabalho do ex-presidente democrata Bill Clinton, Robert Reich, ressaltou que de fato não existem muitas razões para celebrar, mas advertiu os seus companheiros de partido para não torcerem com entusiasmo pelo pior.

É má tática eleitoral. Bush está celebrando as boas novas, mas evita entusiasmo exagerado. Ele sabe que expansão econômica sem geração de empregos trará poucos ganhos políticos.

Mais do que isto, o próprio presidente antecipa um crescimento menos fulgurante no quarto trimestre. A previsão é de algo entre 4% e 5%, já que será mais difícil manter a farra de consumo embalada pelo corte de impostos.

Desemprego menor

De qualquer forma, a Casa Branca espera um círculo virtuoso na economia. Com crescimento sólido haverá menos relutância das empresas para contratar e nos próximos meses a taxa de desemprego poderá ficar abaixo dos 6%.

Ken Goldstein, do respeitado instituto Conference Board, estima que se o crescimento em 2004 for de cerca de 4%, entre 75 mil e 100 mil empregos serão criados mensalmente.

Será um grande alívio para os republicanos, cansados de escutar o mote democrata de que sob a administração Bush o país já perdeu 2,8 milhões de empregos, a maior quantidade desde os tempos em que Herbert Hoover era presidente lá por 1929.

Parte da matemática é elementar. Ganhos de empregos significam ganhos de votos nas eleições de novembro de 2004. Mas isto não basta se persistir a perda de soldados americanos no Iraque. E são estas duas guerras - no Iraque e na economia - que irão determinar o desfecho eleitoral.

É curioso que as más notícias no Iraque - a destacar os devastadores atentados terroristas dos últimos dias - tinham colocado a economia em segundo plano. Na entrevista coletiva que Bush concedeu na terça-feira, não foi feita nehuma pergunta sobre economia.

Agora interessa à Casa Branca priorizar o tema. A economia efetivamente dá provas de que vai voar mais longe. Não será o vôo da águia, mas tampouco o da galinha.

Para George W. Bush, já será um lucro um vôo do peru. Se isto contribuir para a reeleição em 2004, ele terá uma nova ave de estimação.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade