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Atualizado às: 22 de outubro, 2003 - 17h45 GMT (15h45 Brasília)
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EUA estão fazendo jogo na Alca, diz brasilianista

Peter Allgeier e Adhemar Bahadian, que presidem as negociações da Alca
Peter Allgeier e Adhemar Bahadian

O Brasil deve tomar cuidado para não cair na armadilha de ser visto como o grande responsável por um eventual fracasso na criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas).

O alerta foi feito pelo brasilianista Kenneth Maxwell, que acredita que os Estados Unidos também teriam grande parcela de culpa caso a Alca não saísse do papel.

Maxwell, diretor de América Latina do Conselho de Relações Exteriores em Nova York, visitou a BBC Brasil durante sua passagem por Londres para lançar o seu mais recente livro Naked Tropics, que fala sobre o Brasil.

Referindo-se às declarações do embaixador norte-americano Peter Allgeier, o brasilianista disse que os Estados Unidos deveriam baixar a voz no atual estágio das negociações.

Allgeier – que preside as negociações juntamente com o brasileiro Adhemar Bahadian – afirmou que a Alca pode sair mesmo sem a presença do Brasil.

Os negociadores brasileiros e americanos vêm discordando em vários pontos, como subsídios agrícolas, propriedade intelectual e defesa comercial.

Declaração infeliz

"Eu acho essa declaração (de Allgeier) curiosa e um pouco infeliz", disse Maxwell. "Negociações comerciais são extremamente difíceis, cheias de problemas e irritações, e seria melhor que os Estados Unidos falassem um pouco mais calmamente nesse momento."

Maxwell disse que os Estados Unidos podem estar "fazendo um jogo" para poder culpar o Brasil caso as negociações fracassem.

Para ele, tanto o Brasil quanto os Estados Unidos têm grupos internos contrários à criação da Alca.

No caso dos Estados Unidos, ele citou os interesses protecionistas de indústrias como a do aço e do suco de laranja.

"Claramente, George W. Bush é um presidente sensível a lobistas."

Ele citou como exemplo a Flórida, Estado governado pelo irmão do presidente, Jeb Bush.

"Lá, há uma grande oposição à importação do suco de laranja brasileiro, que teria uma forte competitividade se as condições fossem apropriadas."

Já no Brasil, Maxwell acredita que há divisões dentro do próprio governo que devem ser resolvidas para que o país tenha uma voz mais unificada e eficaz nas negociações da Alca.

"Há um jogo hoje no Brasil. De um lado está o ministério da Fazenda querendo mais abertura para o comércio internacional", disse. "Do outro lado, está o Itamaraty que tem uma visão mais estratégica, mais geopolítica.”

Outras frentes

Para o brasilianista, apesar das disputas, as relações entre o Brasil e os Estados Unidos podem se recuperar.

Ele lembra que além de estar despontando como uma liderança da América Latina em questões espinhosas, como as negociações comerciais internacionais, o Brasil também vem desempenhando um papel importante na mediação de crises no continente.

"A atuação do Brasil nas zonas de crise da Venezuela, Colômbia e Bolívia está sendo muito importante e não vai contra os interesses dos Estados Unidos", afirmou.

"Se o comércio for a única coisa na agenda entre os governo brasileiro e americano, será só problemas e irritações. Mas em outras áreas há grandes possibilidades de cooperação entre os dois países."

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