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Lula defende integração contra protecionismo
Durante um dia inteiro de discursos e visitas a todas as instituições importantes do Peru, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repetiu várias vezes o mesmo discurso de integração da América do Sul como um contraponto ao protecionismo nos países desenvolvidos. "Quanto mais entrosamento entre os países da América, mais chances nós teremos de fazer grandes negociações e quebrar as barreiras protecionistas através da OMC", disse o presidente no primeiro discurso do dia, na abertura do 4º Fórum Empresarial Peru-Brasil, que reúne centenas de empresários brasileiros e peruanos por dois dias em Lima. "Não permitiremos que a Alca se transforme em um instrumento sufocador das nossas possibilidades de crescimento, mas que seja uma oportunidade de termos uma maior integração comercial, política e cultural", afirmou Lula. O presidente do Peru, Alejandro Toledo, fez um discurso na mesma linha de integração sul-americana e criticou os subsídios agrícolas para a União Européia. "Não nos peçam para que joguemos no campo do mercado livre se eles próprios protegem seus mercados", disse. "Nossa voz será mais alta se estivermos juntos", completou Toledo. Alca No compromisso seguinte, em um encontro com cem representantes de entidades civis na Universidade de San Marcos, a mais antiga na América do Sul, com 450 anos, Lula também repetiu o discurso de união da América do Sul. "Quero contar com a compreensão de vocês. Não faltarão adversários para bombardear a integração sul-americana. Não faltarão adversários para dizer que a Alca é a melhor solução para os nossos problemas. A Alca será melhor para os países da América do Sul se tivermos a região coesa", afirmou. "Se alguém achar que, negociando sozinho com a parte mais rica do mundo, levará vantagens, pode ter certeza que será derrotado", completou. O presidente repetiu o mesmo tipo de discurso nos compromissos seguintes que, além do encontro e da assinatura de acordos com o presidente peruano no Palácio do Governo, incluíram uma visita ao Palácio da Justiça e, no fim do dia, ao Congresso peruano. Pobreza No Congresso, como que se esquecendo do seu discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, em janeiro, quando propôs a criação de um fundo internacional para combater a pobreza, Lula disse que “não podemos mais viajar o mundo vendendo pobreza”. “Esse não é um problema dos países ricos e eles não vão resolvê-lo. É um problema do Peru, do Brasil, e nós é que temos que trabalhar para acabar com a pobreza”, afirmou. Em seguida, voltou a defender a união da América do Sul como solução para enfrentar o “quadro preocupante das negociações da OMC, como estamos vendo em Genebra”. “Não queremos piedade. Queremos igualdade”, afirmou. Aplausos Lula foi bastante aplaudido pelos que ouviram seus discursos e saudado como celebridade pela população que se aglomerou do lado de fora dos lugares por onde passou. Em alguns locais, grupos de peruanos levavam bandeiras do Brasil e gritavam frases de apoio ao presidente. O fechamento de ruas para a passagem da comitiva presidencial também tornou ainda mais congestionado o já difícil trânsito na região central da capital peruana. O presidente fez todos os pronunciamentos em português, mas durante várias ocasiões usou palavras em espanhol, como presuposto (orçamento), hambre (fome), periodista (jornalista) e encuestas (pesquisas). Por volta das 20 horas (22 h em Brasília) o presidente embarcou para Caracas, na Venezuela, onde fica até o fim da tarde de terça-feira. |
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