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Acordo com Peru dá ao Brasil saída para o Pacífico
O fechamento de um acordo de livre comércio entre Peru e Mercosul, que pode ser anunciado na visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país, neste domingo, deve ampliar um intercâmbio comercial que ainda é pequeno. O Brasil exportou para o Peru no ano passado US$ 436 milhões, apenas 0,72% do total das exportações brasileiras. Este ano, nos primeiros sete meses deste ano, o volume exportado aumentou 17,5% em comparação com o mesmo período do ano passado, mas a participação do Peru no bolo das exportações brasileiras caiu para 0,66%. As importações do Peru para o Brasil são ainda menores. Elas somaram US$ 217,7 milhões no ano passado, o equivalente a apenas 0,46% das importações brasileiras, uma proporção que se manteve nos primeiros sete meses deste ano. Isolamento “Estamos muito isolados do Peru, um país com o qual temos 2 mil quilômetros de fronteira e um intercâmbio comercial de pouco mais de US$ 600 milhões”, disse o embaixador brasileiro no Peru, André Amado. Segundo ele, é preciso que os empresários dos dois países se aproximem mais. Amado lamenta que, até agora, os empresários brasileiros sempre estiveram voltados para os Estados Unidos, União Européia e Mercosul e os peruanos sempre olharam para os Estados Unidos e Chile. Dos dois lados, existe muito espaço para diversificar a pauta de exportações. A quase totalidade das exportações peruanas (97%) para o Brasil são de minerais como zinco e cobre. Já as exportações brasileiras são compostas principalmente por materiais para a construção do projeto de gás natural de Camisea, no sudeste do Peru. Mais do que no mercado consumidor peruano, o Brasil está de olho na saída para o Oceano Pacífico, que facilitaria os embarques de produtos brasileiros tanto para a costa oeste dos Estados Unidos como para os países asiáticos. Integração física Por isso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já se comprometeu com o financiamento de duas grandes rodovias ligando o Brasil ao Peru. Uma delas, até Tarapoto-Yurimaguas, ligará o litoral norte do Peru a Manaus, e a outra, em Iñapari-Inambari, integra a chamada "Carretera del Pacífico", que vai ligar a costa sul do Peru ao Brasil, passando pelo Acre. Os projetos fazem parte da Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), que prevê o aumento da integração física do continente - uma bandeira sempre levantada pelo presidente Lula em seus discursos. Hugo Cabieres Cubas, que coordena o projeto de substituição de plantações de coca por outras culturas no Peru, gostaria de ver uma terceira rodovia, cortando o Peru na parte central, para ajudar no escoamento da produção nessa região. “Infelizmente, ela não foi priorizada pelo Brasil”, lamentou. Os investimentos em projetos de substituição de plantações são outra oportunidade de negócios para os investidores brasileiros. Produtos como açúcar de cana e álcool, protegido por sobretaxas pelos Estados Unidos, entram no território americano com redução tarifária quando são provenientes de áreas onde havia plantio de coca. Mercado na fronteira Se o Brasil quer cortar o território peruano para chegar ao Pacífico, Cubas diz que, para os peruanos, o maior atrativo é o abastecimento do mercado consumidor do norte do Brasil, mais próximo do Peru do que dos centros industriais brasileiros. O mercado de meio milhão de habitantes das regiões fronteiriças é considerado pequeno pelos padrões brasileiros, mas é grande para um país com um sexto da população do Brasil. O acordo de livre comércio entre o Peru e o Mercosul também deixa o bloco um pouco mais perto de uma associação com a Comunidade Andina das Nações (CAN), o bloco que reúne, além de Peru, Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela. “O Peru faz parte da nossa estratégia de integração da América do Sul”, afirmou o embaixador brasileiro no Peru. Ele acha que, unidos, os dois blocos, com dez integrantes, teriam mais chances de ser ouvidos. “Junto com a CAN, o Mercosul constituiria uma voz plural muito importante para as negociações comerciais que se avizinham, tanto com os Estados Unidos, para a Alca, como com a União Européia e os asiáticos.” O assessor da presidência das Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, diz que o Brasil tem interesse que o Peru se industrialize. “Queremos o fortalecimento da região. E, se isso acontecer com investimento brasileiro, melhor”, disse. Nos projetos de construção das rodovias, além dos recursos brasileiros do BNDES, a intenção do governo brasileiro é exportar os serviços técnicos para a realização da obra. Leia ainda: |
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