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Governo tenta 'vender' Brasil de Lula aos peruanos
O esforço do Brasil para conquistar os peruanos vai além do comércio internacional. O governo brasileiro promoveu na sexta-feira, em Lima, um seminário para divulgar também as ações do governo Lula na área social e na política internacional, além de mostrar que o país está com as contas em ordem. O seminário foi promovido em conjunto pela embaixada brasileira no Peru e pelo Instituto de Estudos Peruanos (IEP) e contou com a presença de intelectuais, membros do governo e de organizações peruanas. Para explicar o programa do governo Lula, compareceram o economista-chefe do Ministério do Planejamento, José Carlos Rocha Miranda, o coordenador de mobilização social para o programa Fome Zero, Frei Betto, e o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. Visita O evento antecede a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país. Lula chega no domingo à noite, para uma visita de cerca de 24 horas, que inclui um encontro bilateral com o presidente peruano, Alejandro Toledo. O principal ponto da agenda dos dois presidentes – a adesão do Peru ao Mercosul como país associado, o mesmo status de Bolívia e Chile - ainda não está totalmente acertado. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, chegou na sexta-feira à noite a Lima com a missão de tentar convencer os peruanos a fechar o acordo. “Ainda temos dificuldades a superar, mas esperamos concluir e assinar o acordo”, disse Amorim ao chegar a Lima. Durante a semana, as negociações foram comandadas, pelo lado brasileiro, pelo secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães. Antes do encontro com Amorim, o governo peruano ainda não estava satisfeito com as condições e dizia que só assinaria o acordo se os resultados fossem bons para todos os lados. Problemas e oportunidades Num seminário sobre livre comércio, na quinta-feira, o ministro do Comércio Exterior peruano, Raúl Diez Canseco, disse que as principais dificuldades são a Zona Franca de Manaus, que tem condições tributárias especiais, e a não aceitação por parte do Uruguai do certificado de origem, que permite a entrada de produtos importados no bloco como se fossem produzidos localmente. O acordo com o Peru é mais um passo em direção a uma área de livre comércio entre o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, como membros plenos, e Bolívia e Chile, como associados) e a Comunidade Andina das Nações, a CAN (Bolívia, Peru, Equador e Venezuela, Colômbia). As relações comerciais entre Brasil e Peru ainda são incipientes, mas o governo brasileiro considera que existe um grande potencial para avanço. Um acordo com o Peru daria uma saída pelo Oceano Pacífico para os produtos brasileiros. “Precisamos tentar dinamizar os conhecimentos entre os empresários dos dois lados”, diz o embaixador brasileiro no Peru, André Amado. O Brasil também está de olho nas boas relações comerciais do Peru com os Estados Unidos. Como parte do plano americano de apoiar o fim das plantações de coca na região andina, os países da CAN exportam para os Estados Unidos, com condições privilegiadas, produtos como álcool e açúcar. “Poderia ser uma boa oportunidade para os empresários brasileiros, que têm expertise nessa área”, disse o embaixador. A exploração das oportunidades nos dois países será discutida no Fórum Empresarial Peru-Brasil, segunda e terça-feira, em Lima. O evento será aberto pelos presidentes Lula e Toledo. |
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