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Empresários peruanos são contra acordo com o Mercosul
Os empresários peruanos são contra a assinatura, neste momento, do acordo de livre comércio entre o Peru e o Mercosul, que colocaria o país como membro associado do bloco que tem Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai como membros plenos e Chile e Bolívia como associados. “Em princípio um tratado de livre comércio é positivo”, disse à BBC Brasil o presidente da Câmara de Comércio do Peru (Perú-Cámaras), Samuel Gleiser. “Mas nós empresários achamos que não é prudente assinar agora”, completou.- Gleiser acha que o Brasil está pressionando muito o governo peruano para que o acordo seja fechado neste fim de semana. “O Brasil quer firmar um acordo nas suas condições e achamos que isso pode ser ruim para nós”, afirmou. O governo brasileiro gostaria de assinar o acordo durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chega ao Peru neste domingo. Negociação O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, chegou a Lima na sexta-feira à noite (mas precisou voltar ao Brasil para participar do velório de Sérgio Vieira de Mello), para tentar finalizar o acordo antes da chegada do presidente. Os empresários reclamam que não foram chamados para participar das negociações. “Neste momento estamos muito desesperançosos porque falta informação sobre o que está sendo negociado”, disse Gleiser. Uma pesquisa realizada pela Perú-Cámaras mostra que 75% das câmaras de comércio do país consideram que o acordo será muito ruim se não forem definidos claramente os mecanismos de proteção contra a concorrência desleal internacional. A principal apreensão dos empresários peruanos é quanto aos regimes de origem, que permitiriam a exportação de produtos fabricados em terceiros países com tarifas que vigoram dentro do bloco. Eles temem, por exemplo, que as concessões dadas por Brasil e Argentina (os maiores sócios do bloco) ao Paraguai e Uruguai prejudiquem os produtos peruanos, principalmente nas áreas têxtil e de confecções, um setor industrial importante para o Peru. Zona Franca Outra preocupação dos empresários é com a Zona Franca de Manaus. “Uma zona franca não pode integrar um acordo de livre comércio”, argumenta Gleiser. Atendendo ao temor dos empresários, o ministro peruano de Comércio Exterior peruano, Raúl Diez Canseco, disse num seminário sobre acordos de livre comércio, na quinta-feira, que só assinaria o acordo se ele fosse favorável ao país. O presidente da Perú-Cámaras não nega, no entanto, que a assinatura de um acordo que resolva essas pendências seria muito favorável ao Peru, um país com uma população de quase 27 milhões de habitantes, Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 60 bilhões previsto para este ano e exportações que no ano passado somaram apenas US$ 7,6 bilhões. Com o acordo, o país espera incrementar as vendas para o Mercosul, atualmente destino de apenas 2,8% das exportações peruanas. “Existe um potencial muito grande”, diz Gleiser. Principalmente porque, lembra ele, 97% das exportações para o Brasil, que no ano passado somaram US$ 217 milhões, são de minerais como zinco e cobre. Os empresários peruanos gostariam de aumentar as exportações de produtos industrializados, como têxteis. O potencial também é grande do lado brasileiro. Atualmente, a quase totalidade das exportações brasileiras, que no ano passado somaram US$ 436 milhões, é formada por tubulações e outros equipamentos para a construção do projeto de exploração de gás de Camisea, que está sendo realizado no sudeste do Peru. |
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