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Peru quer acordo bilateral com EUA, diz Toledo
O presidente do Peru, Alejandro Toledo, defende a integração sul-americana como maneira de aumentar a força da região no cenário internacional, mas diz que o país vai continuar negociando acordos comerciais separadamente com os Estados Unidos. "Não posso deixar que meu país fique abandonado, sem mercado depois de 2006", afirmou, referindo-se a um tratado que vence nesta data e à necessidade de garantir o mercado americano para os produtos peruanos. Já a integração da América do Sul é necessária, segundo Toledo, "para fortalecer a capacidade de negociação da América do Sul com os Estados Unidos, a Europa e a Ásia". O Peru assinou um acordo de livre comércio com o Mercosul na segunda-feira, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país. Toledo repete o mesmo discurso do presidente brasileiro de que países desenvolvidos como Estados Unidos e Japão e a União Européia deveriam colocar em prática a defesa que fazem do livre comércio. "Precisamos construir uma via comercial de mão dupla", diz Toledo, referindo-se ao protecionismo dos países ricos. Leia abaixo a entrevista exclusiva concedida pelo presidente peruano à BBC Brasil. BBC Brasil – Depois deste acordo entre Peru e Mercosul e da visita do presidente Lula, que produtos o Peru espera exportar mais para o Brasil? Alejandro Toledo – A visita do presidente Lula foi uma visita amistosa de Estado. É uma pessoa com quem tenho uma grande afinidade pessoal. E, além de um acordo de livre comércio entre Peru e Mercosul, vai além porque inclui ainda a integração vias terrestre e fluvial entre os dois países, inclui as estradas e inclui a participação num sistema de segurança (Sivam/Sipam), além de outros temas como romper as fronteiras. Haverá vôos entre Brasil e Peru como se fossem vôos nacionais, reduzindo os custos em quase 50%. Os brasileiros e peruanos poderão passar a fronteira sem passaporte. No caso específico do livre comércio, o Peru poderá exportar fosfato de sódio, minerais, hortaliças, produtos agroindustriais, livros. Com isso, reduziremos o déficit comercial que temos hoje. O Peru exporta cerca de US$ 220 milhões aos quatro países-membros permanentes do Mercosul. E o Peru compra do Mercosul mais de US$ 1,3 bilhão. É uma balança comercial muito desigual. Estamos apostando no futuro, e que a integração vai nos permitir vender mais. A balança comercial será mais simétrica. BBC Brasil – De todos esses aspectos, qual é o mais importante para o Peru? Toledo – A integração da América do Sul. Com esses componentes, que fazem parte de uma aliança estratégica entre Peru e Brasil, não estamos apenas construindo uma relação binacional, mas plantando a semente da Comunidade Sul-Americana de Nações. Estou liderando agora a Comunidade Andina. Espero que possamos integrar o Mercosul e a Comunidade Andina. Não apenas para aumentar o nosso comércio e os nossos investimentos para crescer, mas para fortalecer a capacidade de negociação da América do Sul com os Estados Unidos, a Europa e a Ásia. BBC Brasil – O presidente Lula falou muito sobre o fortalecimento da região para negociar a Alca. O senhor acredita que esta é a melhor estratégia ou o Peru tem intenção de negociar a Alca diretamente com os Estados Unidos?
Toledo – BBC Brasil – Mas isso não pode interferir nas negociações da Comunidade Andina com o Mercosul? Toledo – De maneira nenhuma. A Colômbia está negociando um acordo com os Estados Unidos. Não vejo incompatibilidade entre trabalhar a integração sul-americana, e depois latino-americana, com trabalhar os acordos bilaterais. Quando já estivermos unidos, nossa capacidade de negociação será mais forte. Estive conversando com o presidente Lula e nos entendemos. Não posso deixar que meu país fique abandonado, sem mercado depois de 2006. BBC Brasil – Mas a Alca é para 2005. Toledo – Mas os empresários que querem investir têm que saber hoje em dia que terão um mercado em 2006. Não tenho que esperar até 2006, senão não vem. Neste mundo globalizado, estamos competindo por capitais de investimento. Eu não vejo incompatibilidade. Com o presidente Lula, estamos convencidos de que juntos podemos penetrar mais mercados e tornar simétrica a relação comercial com Estados Unidos, Japão, Europa, que têm uma relação comercial de uma mão só. Isso eu disse em Davos. Precisamos construir uma via comercial de mão dupla. Que a Europa faça o que pedem a nós. Que o Japão faça o mesmo. Que os Estados Unidos façam o mesmo. Por isso que a integração tem sentido. BBC Brasil – Mas, como o senhor disse, os países competem por investimentos. Como se pode compatibilizar a união com a competição dos países da América do Sul por recursos externos? Toledo – A globalização e a competitividade obrigaram os países a formar blocos. Por isso, queremos formar um bloco sul-americano. Aí tem a União Européia, aí tem os blocos na Ásia, aí tem o acordo comercial entre Estados Unidos, Canadá e México (Nafta), aí tem o mercado comum centro-americano. Necessitamos construir isso. Isso não é incompatível com atrair investimentos da Ásia, da Europa, dos Estados Unidos. Não, não. Não estamos nos juntando para competir um com o outro. Estamos nos reunindo para juntos penetrar mercados e criar uma atmosfera na América Latina para crescer, para gerar trabalho para ter ingressos e reduzir a fome. |
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