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Resistência do Uruguai quase impede assinatura de acordo
O acordo de livre comércio entre o Peru e o Mercosul quase não foi assinado nesta segunda-feira pelo Uruguai. Foi preciso a intervenção dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Alejandro Toledo, que telefonaram ao presidente uruguaio, Jorge Battle, para discutir o assunto e convencer o chanceler uruguaio a assinar o acordo. De acordo com uma fonte do governo brasileiro, os uruguaios não queriam o acordo do Mercosul com o Peru porque já não se interessam pelo bloco econômico que integram junto com Brasil, Argentina e Paraguai, e querem se dedicar ao comércio com os Estados Unidos. Questionados sobre o incidente na entrevista coletiva que sucedeu à assinatura do acordo, tanto Lula como Toledo tentaram minimizar a importância do incidente. “Não foi nada. Só nos falamos por telefone para resolver umas coisas”, disse o presidente brasileiro. O presidente peruano deu uma resposta parecida. Antes da assinatura do acordo, num discurso em que, mais uma vez, defendeu a integração da América do Sul para a negociação conjunta de acordos comerciais, Lula já havia feito uma referência a este tipo de procedimento. "Se alguém achar que, negociando sozinho com a parte mais rica do mundo, levará vantagens, pode ter certeza que será derrotado", disse sem citar nomes. Acordo O acordo de livre comércio entra em vigor no dia primeiro de novembro, mas o Brasil, “como um sinal de boa vontade” segundo a diplomacia brasilera, está zerando de imediato a alíquota de importação de 17 produtos peruanos. Nesta lista estão minerais como estanho e cobre e produtos agrícolas como azeitonas e aspargos. “São produtos de interesse do Peru”, explicou o embaixador Luiz Felipe de Macedo Soares, subsecretário-geral de Assuntos de América do Sul do Itamaraty. Embora o acordo assinado nesta segunda-feira preveja o prazo maior para a retirada das alíquotas de importação de alguns produtos – especialmente agrícolas – que fariam uma concorrência direta no mercado peruano, Macedo Soares diz que em relação ao Brasil não há pendência. “As alíquotas entre Brasil e Peru praticamente zeram imediatamente após a vigência do acordo”, afirmou o embaixador. Balança deficitária Atualmente, o Peru embarca para os países do Mercosul apenas 2,8% de suas exportações. Com o Brasil, a balança comercial é bastante deficitária, numa proporção que até os diplomatas brasileiros consideram descabida. No ano passado, o Brasil vendeu US$ 463 milhões para o Peru e comprou do país apenas US$ 217 milhões. A economia peruana é cerca de oito vezes menor do que a brasileira. Com o acordo de livre comércio, o comércio bilateral deve aumentar, e a equação deve ficar mais equilibrada. Brasil e Peru assinaram também outros acordos bilaterais, como um prevendo a construção de rodovias ligando os dois países e outros referentes à cooperação nas áreas de segurança (projeto Sivam, de vigilância da Amazônia), cultura e turismo. No comunicado conjunto que assinaram, o Peru declara seu apoio à candidatura do Brasil a uma vaga permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Em troca, o Brasil apóia a candidatura do Peru a uma vaga rotativa no Conselho de Segurança para o período de 2006-2007 – as eleições acontecem em setembro de 2005. |
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