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Mesa diz que pressões farão governo 'naufragar'
O novo presidente da Bolívia, Carlos Mesa, disse neste sábado que seu governo corre o risco de um "naufrágio total", caso se torne refém das pressões do parlamento, das organizações sociais, dos sindicatos ou dos camponeses. Na primeira entrevista coletiva concedida à imprensa internacional depois de ser empossado, Mesa foi taxativo ao dizer que nenhum militante de partido fará parte de seu gabinete e pediu paciência aos setores sociais e fez um chamado à conciliação. “Se a Bolívia perder esta oportunidade, se o presidente e sua equipe de trabalho, se o parlamento e a sociedade não entenderem que não podemos jogar com o destino, rapidamente poderemos entrar em uma grave crise”, afirmou Mesa. “O desafio fundamental é saber se o peso das mortes que temos nas costas e se o peso da profunda crise sejam tão fortes que nos façam mudar de critérios e de linha de comportamento”. Referendo Segundo Mesa, esta é sua única opção para começar a governar. De acordo com ele, é necessário dar aos bolivianos uma linha e um exemplo com sua ação de governo. O anúncio e a posse dos ministros do novo governo estavam previstos para este sábado, mas foram adiados para o domingo. Durante a entrevista, Mesa disse ainda que os acontecimentos que levaram à morte de mais de 60 pessoas nas últimas semanas devem ser investigados e esclarecidos. De acordo com ele, cabe ao Congresso Nacional decidir que responsabilidades pode ou não tiveram o ex-presidente e seus colaboradores mais importantes com relação a esses eventos. Gás para o Brasil Carlos Mesa, que é jornalista, assumiu na noite de sexta-feira a Presidência da Bolívia, depois de o Congresso ter aprovado a renúncia de Gonzalo Sánchez de Lozada, disse que promoverá um referendo sobre o criticado projeto de venda de gás para os Estados Unidos e México, que acabou detonando a recente crise social. Sobre este tema, também assinalou que não existe qualquer possibilidade de deixar de exportar gás para o Brasil. “O povo nunca levou em consideração esta hipótese”, lembrou. “A Bolívia tem uma reserva de gás gigantesca. Dá para o próprio consumo e também para a exportação”. Apesar do forte sentimento anti-americano que impera na Bolívia, ressaltado durante os protestos inicados em setembro, Mesa classificou a relação entre os governos da Bolívia e dos Estados Unidos como inalterável, essencial e muito boa. O presidente informou que esteve reunido neste sábado com representantes do governo americano em La Paz. De acordo com ele, os Estados Unidos entenderam que existem visões críticas na Bolívia. Mas, nada que possa preocupar. Assembléia constituinte Carlos Mesa se comprometeu a apoiar a instalação de uma assembléia constituinte, a pesar de ter se manifestado contrário a esta reivindicação popular em ocasiões anteriores. Na avaliação do novo presidente, a Bolívia já conta com uma excelente Constituição e mecanismos constitucionais que permitem um conjunto de reformas indispensáveis para solucionar as demandas populares. “O país quer fazer este debate de forma ampla, começar do ponto zero. Penso nos perigos que uma nova Constituição poderia ter”, assinalou. “Mas, espero poder contribuir e orientar para que a Bolívia faça este debate de forma sensata e racional”. Com relação a fuga de Sánchez de Lozada para os Estados Unidos, Mesa respondeu de duas maneiras. Como amigo de muitos anos do ex-presidente, disse sentir uma profunda dor e manter enorme consideração por ele. Já, como governante, assinalou que os últimos dias de Sánchez de Lozada na Presidência produziram muita violência e mortes. |
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