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Questão de identidade
Os jornais deste domingo noticiaram com alarde o racha no gabinete de Tony Blair em torno de uma possível introdução em todo país de uma carteira de identidade compulsória. Os ministros do Exterior e das Finanças escreveram para seus colegas de gabinete condenando os planos do ministro do Interior, que acumula parte das funções do ministro da Justiça, de criar um documento de identificação, cujo porte não seria obrigatório mas teria de ser apresentado às devidas autoridades em questão de dias, caso solicitado. A identidade sairia de grátis para os que buscam asilo, mas custariam perto de US$ 65 para o cidadão britânico. Para todos os efeitos, argumentam os que são contra, trata-se de nova (e pesada) taxação. A questão é discutida na mídia em maiores detalhes, mas, que eu saiba, ninguém falou do quanto os britânicos detestam a) tudo que é obrigatório e b) documento de identidade. Minha experiência em quase 30 anos de Reino Unido dá uma idéia de como funcionam as coisas. Para me registrar na biblioteca do bairro, basta uma conta qualquer – luz, gás, telefone – contendo meu nome e endereço. Isso também é válido para resgatar correspondência registrada nos correios, receber o cartãozinho de idoso que me isenta de pagamento de metrô e ônibus e uma porção de outras coisas. Quero crer que as pessoas que por ventura se encontrarem em “atitude suspeita” também levam nos bolsos, como medida de precaução, a conta de gás. Como nunca estive envolvido com a polícia, não sei o que fazem possíveis malfeitores para se identificarem na delegacia. Lembro-me do quanto aquela papelada toda me complicava a vida no Brasil. A carteira de identidade (que era carteira mesmo quando a tirei e não havia a mania da plastificação), a carteira de trabalho, o CPF, as grotescas fichas que eu tinha que preencher nos hotéis. Pediam-me a minha filiação, coisa que nunca entendi. O que é que meu pai e minha mãe tinham a ver com minhas histórias em hotéis de boa ou má reputação? Acho mesmo que me pediam sinais característicos e cor dos olhos. Mas aí é capaz de eu estar confundindo com quando fui pregressado no Dops. De qualquer forma, entendo porque não pegou aquele ministério que um desses governos passados tentou ativar: o da desburocratização. Era muita a burocracia necessária para colocá-lo em funcionamento. |
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