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Atualizado às: 10 de outubro, 2003 - 11h56 GMT (08h56 Brasília)
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Contra o futebol inglês
Ivan Lessa


Eu torcia pelo Botafogo. Prova de que em matéria de futebol estou por fora – dizem.

Digo "torcia" porque torcer, para mim, é conhecer a escalação do time de cor e salteado, acompanhar treino, colecionar superstições e bater boca no botequim da esquina domingo à noite depois do jogo.

Eu torcia mais pelo Botafogo do que pela Seleção Brasileira, confesso. Tenho certeza que uma boa percentagem dos torcedores, se fossem sinceros, admitiriam pendores idênticos.

Quando cheguei na Inglaterra, procurei me interessar e, para me manter em forma psicológica, adotar um time.

Tentei o Chelsea, de bairro que eu frequentava, camisa vistosa e, à época, fim dos anos 60, contando com os préstimos de um Garrincha lá deles: o eminente driblador e hoje, coitado, alcoólatra, Georgie Best.

A verdade é que o futebol inglês foi minha grande decepção com a Inglaterra. Virou tudo, aos poucos, o Southampton, time que foi ao Brasil em fins dos anos 40, com seus longos calções e tática traçada em guardanapo de restaurante, com muita correria e nenhum sal.

Não deu, pois, para acompanhar as páginas esportivas dos jornais, os jogos pelo rádio ou televisão ou as atividades dos hooligans, que já andavam hooligando, só que em menor número, mais ou menos feito nossos fascínoras.

Preferi ficar com o teatro, a televisão e os livros, coisas que eles, os ingleses, faziam e ainda fazem com mestria. Saí ganhando.

Tudo isso devido ao vexame que a seleção inglesa andou dando ameaçando não jogar sábado contra a Turquia, perdendo assim os pontos, as chances no eurocampeonato de 2004 e no mundial de 2006.

Tudo porque um de seus multimilionários jogadores "se esqueceu-se" de fazer o antidoping marcado e a confederação de futebol ameaçou, corretamente, suspendê-lo de participar no jogo chave.

Os cartolas fizeram pé firme e os jogadores (depois de um sarrafo dado pelos jornais) voltaram atrás dizendo que a greve era só de "mentirinha".

Os torcedores, que sempre conseguem tempo e dinheiro (sabe-se lá como) para viajar acompanhando a seleção, infelizmente não ameaçaram boicotar a renhida peleja. Oxalá boicotassem toda peleja – sempre.

Sábado, lá estou eu torcendo pela Turquia. Torço e torcerei sempre contra a seleção inglesa.

Uma barra torcer pela Turquia, mas a seleção inglesa, com suas vedetes-magnatas, obriga um homem a horrores indizíveis.

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