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Análise: Segredos Abertos
O nome e a ocupação de Valerie Plame são de domínio público. Não deveriam. Ela é funcionária da CIA, com especialização em armas de destruição em massa. Revelar a identidade e certas atividades de um agente da CIA evidentemente prejudicam seu trabalho e podem colocar em risco sua vida. É crime federal que pode resultar em 10 anos de prisão. O diretor da CIA, George Tenet, está irritado, mas partidários da Casa Branca dizem que a polêmica é exagerada e está sendo manipulada pelos democratas. Dizem que Valerie Plame é apenas uma analista e não uma agente clandestina (o que não é corroborado pela própria CIA). Será que assim os defensores do governo estão minimizando o vazamento de informação oficial? O próprio ministro da Justiça, John Ashcroft (aquele preocupado com ameaças à segurança nacional em bibliotecas públicas), determinou no começo do ano que uma força-tarefa crie normas mais rigidas para punir os responsáveis pelo vazamento de informações secretas. A Casa Branca obviamente nega qualquer envolvimento em golpe sujo, mas em um ataque preventivo (especialidade da administração Bush) disse que vai cooperar integralmente com a investigação do Departamento de Justiça sobre o desmascaramento de Valeria Plame. Ela é a mulher do ex-embaixador Joseph Wilson, crítico aberto do governo e que refutou as acusações oficiais sobre o desenvolvimento de armas de destruição em massa do Iraque de Saddam Hussein. Em particular, Wilson preparou um relatório negando as denúncias da Casa Branca de que o Iraque havia tentado comprar material nuclear na África. Afinal por que altos funcionários da Casa Branca iriam revelar o nome de alguém que zela pela segurança nacional? Pode ser para intimidar os críticos do governo Bush (como acusa o ex-embaixador Wilson) ou pode ser simples estupidez. De qualquer forma, a oposição democrata foi à carga dizendo que o inquérito não pode ser da alçada do Departamento de Justiça, chefiado por Ashcroft, um íntimo associado do presidente. Democratas querem um inquérito independente, algo que foi cobrado e conseguido pelos republicanos nos tempos em que estavam em jogo a vidan sexual de Bill Clinton ou as negociatas imobiliárias de Hillary Clinton e não a segurança nacional. É curioso também que o vazamento sobre Valerie Plame (com o objetivo de alvejar o marido) foi inicialmente feito para Robert Novak, um dos mais influentes jornalistas conservadores dos EUA e inimigo feroz do casal Clinton. Não há dúvida, portanto, que a nebulosa história sobre o vazamento é altamente politizada pelos dois lados. George Bush chegou ao poder com a promessa de restaurar a honestidade no Salão Oval da Casa Branca. Hoje existe um assalto sistemático contra a credibilidade do seu governo. O assalto, evidentemente, é reforçado em uma temporada eleitoral. O vazamento do nome de Valerie Plame é apenas um novo episódio aproveitado pelos democratas que enfrentam uma Casa Branca cada vez mais vulnerável. Não se sabe ainda se este episódio pode resultar em escândalo, embora os democratas já estejam cheirando um. E ninguém com olfato melhor do que o general aposentado Wesley Clark, agora em campanha presidencial. Ele acusou o governo Bush de ter há muito tempo politizado a segurança nacional, mas desta vez foi demais. Como o atual comandante-em-chefe, Wesley Clark aprendeu a usar a segurança nacional em partido próprio. |
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