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Atualizado às: 23 de setembro, 2003 - 17h05 GMT (14h05 Brasília)
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Análise: O Bush de sempre

Bush
O presidente americano George W. Bush em discurso na ONU

No seu discurso na assembléia-geral da ONU, o presidente George W. Bush disse que a "jovem democracia" iraquiana precisa de amigos, precisa de ajuda. A madura democracia americana, também. Os pedidos, porém, não vieram acompanhados de gestos conciliatórios.

Ainda não foi desta vez que Bush deu mostras do tão aguardado pragmatismo relutante, ou seja, alterações de curso porque o terreno está acidentado.

Bush não pediu desculpas, não assumiu erros e bateu na tecla das armas de destruição em massa, embora tenha admitido dificuldades no Iraque pós-guerra em meio à enumeração dos progressos na era pós-Saddam Hussein.

O presidente americano que esteve impaciente para ir a guerra (para a qual acabou indo sem o aval da ONU) agora adverte contra passos que apressem a devolução da soberania iraquiana, como aqueles sugeridos pela França (ah, sempre a França) e atribuam um papel mais importante da ONU no país. Bush não deu detalhes sobre o cronograma de transição, mas deve ser nos termos americanos, mesmo agora que integrantes do governo provisório designado pelas forças de ocupação comecem a expressar impaciência com a falta de soberania.

A guerra é um fato consumado e países importantes da ONU não querem repetir o espetáculo de paralisia que marcou o pré-guerra. Mesmo Jacques Chirac admite que não existe disposição para vetar uma nova resolução do Conselho de Seguranca, mas no seu discurso foi à carga contra o unilateralismo americano, que para ele foi responsável por uma das mais graves crises na história da ONU.

Há chamados para a unidade e um processo de negociações sobre uma nova resolução da ONU e um cronograma de transição no Iraque segue nos bastidores. Afinal um desastre ainda mais grave no Iraque não interessa a ninguém, exceto às brigadas internacionais do terror e do caos.

Mas há visões de mundo diferentes e bem diferentes. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, fez um discurso particularmente forte, investindo contra a doutrina do ataque preventivo que promete (ou, pelo menos, prometia até as dificuldades no Iraque) ser a pedra de toque da política externa da administração Bush.

George Bush hoje não adverte sobre o risco de irrelevância da ONU, como fez no seu discurso à assembleia-geral há um ano. Mas não tem propostas práticas a favor da relevância e da necessidade de fortalecimento e reforma de uma entidade multilateral por excelência, como enfatizou o presidente Lula no seu discurso.

Mas muito mudou para Bush de um ano para cá. Ele não expressa remorsos, mas está combalido pelo custo do pós-guerra e as dificuldades na frente econômica.

Assessores da Casa Branca negam pânico no governo, mas admitem alta ansiedade com a campanha eleitoral esquentando.

Os discursos da terça-feira na ONU deixaram claro que continuam grandes as diferenças sobre métodos e o cronograma para se sair do buraco iraquiano. Talvez as diferenças se estreitem se o fosso se alargar ainda mais.

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