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Fraqueza no púlpito
Na tradição americana, o presidente recorre ao chamado poder do púlpito para reverter uma maré de insatisfação popular como sua política. A pregação costuma acontecer com um pronunciamento à nação feito da Casa Branca e costuma dar certo. Não desta vez. Na semana passada, o presidente George W. Bush falou ao país para arregimentar as tropas inquietas com o rumo dos acontecimentos no Iraque. O discurso até que foi bem recebido pelos principais jornais do establishment, como uma prova de que a Casa Branca finalmente foi mais explícita no reconhecimento de que a ocupação do Iraque será mais longa, sangrenta e cara do que gostaria de assumir. Pesquisa Mas as indicações são de que injeção de realidade não reforçou a confiança da opinião pública no seu comandante-em-chefe. Pelo contrário. O discurso da Casa Branca e o pedido de US$ 87 bilhões adicionais para custear a pacificação e reconstrução do Iraque não tiveram o efeito desejado. Tampouco outros lances desta ofensiva do governo Bush para deter o declínio do apoio à sua política externa como colocar seus principais assessores na estrada para explicar o que está em jogo e bater na tecla de que o Iraque hoje é a frente vital da chamada guerra contra o terror. Esta vinculação aparentemente deveria levar o país a cerrar fileiras em torno do presidente, na medida em que foi martelada no segundo aniversário dos atentados de 11 de setembro.
Os números estão aí. A pesquisa do jornal Washington Post e rede de televisão ABC revela que seis em dez entrevistados não apóiam o pedido de Bush por mais dinheiro para salvar o Iraque e, no final das contas, seu próprio futuro político. Stanley Greenberg, um dos mais influentes marqueteiros do país e bruxo das pesquisas no governo Clinton, disse que esta foi a primeira vez em que um discurso do presidente Bush em horário nobre não representou uma guinada do sentimento popular a seu favor. Democratas Na verdade, o que ficou mais patente nos últimos dias é o poder do púlpito dos políticos democratas, em especial os pré-candidatos à presidência, para criticar a falta de planejamento no pós-guerra. Já é um clichê a expressão do deputado Richard Gephardt de que a política de Bush no Iraque é um “fracasso miserável”. Mesmo o ex-presidente Clinton, que evitava bater pesado no seu sucessor, está mais incisivo e no fim de semana afirmou que Bush está desperdiçando o capital de simpatia doméstico e internacional conquistado após os atentados de 11 de setembro. É verdade que a taxa de popularidade de Bush agora está um pouco acima de 50%, o patamar em que se encontrava antes dos ataques terroristas de dois anos atrás. Pesquisas de opinião, porém, hoje são submetidas a oscilações abruptas e, apesar da apreensão popular, segue firme o apoio popular à campanha militar que levou à derrubada do regime de Saddam Hussein. Impaciência Ademais, os americanos continuam confiando mais nos republicanos do que nos democratas para lidar com questões de terrorismo e segurança nacional. Bush ainda tem o mandato para suas guerras, mas governa um país de gente impaciente e que gosta de ver resultados. O estado de espírito da opinião pública mudaria se houvesse imagens da captura de Saddam Hussein ou da descoberta das armas de destruição em massa. Enquanto o presidente não puder anunciar as boas notícias do púlpito, deve amargar esta lenta erosão da confiança popular. |
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