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Atualizado às: 09 de setembro, 2003 - 10h52 GMT (07h52 Brasília)
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Caio Blinder: Política da necessidade

Soldado consola colega após ataque no Iraque
Sofrimento de soldados é nova difuldade para presidente

São tempos da política da necessidade para George W. Bush. No discurso de domingo à noite, o presidente americano estendeu a mão para pedir.

Do Congresso, ele quer US$ 87 bilhões para custear, no ano que vem, a pacificação e reconstrução do Iraque, Afeganistão e outros confins.

Do povo americano, o presidente quer paciência para batalhas longas, sangrentas e caras. E das Nações Unidas e da comunidade internacional em geral, Bush quer apoio em tropas. Dinheiro também é bem-vindo.

Passar por necessidades ou admitir que precisa de ajuda não é o mesmo que espírito conciliatório, como lembrou o jornal Washington Post.

Bush abandonou a postura do “deixa-que-eu-resolvo-sozinho”, mas não está fazendo concessões para os países aliados que se opuseram ao seu unilateralismo na época da guerra do Iraque.

No discurso, ele simplesmente declarou que os integrantes da ONU têm a “responsabilidade” de ajudar. Não houve acenos de mais influência política e econômica no Iraque para quem participar das ingratas tarefas do pós-guerra.

Ademais, o presidente sequer admite que está havendo uma correção de curso. Na semana do segundo aniversário de 11 de setembro, Bush prefere reciclar temas, tentando novamente conectar a ameaça do terror da rede Al-Qaeda com o deposto regime de Saddam Hussein.

Claro que não cabe ao presidente americano admitir que a ocupação no Iraque é um imã para a indústria terrorista.

Não há dúvida, porém, que esta é uma Casa Branca na defensiva, buscando formas de reagir ao ataque de más notícias.

As fantasias geopolíticas dos neoconservadores de uma revolução a toque de caixa no Iraque, em particular, e no Oriente Médio, em geral, estão sendo abafadas pela realidade.

O Bush com blusão de piloto que no porta-aviões anunciou há quatro meses que o pior havia passado no Iraque cedeu lugar a um presidente de terno e tom sombrio na Casa Branca advertindo os americanos sobre uma carga pesada e uma era de sacrifícios.

Não é bem isso que um presidente em campanha de reeleição gostaria de anunciar à opinião pública.

A esta altura do campeonato, as qualidades de Bush como um líder em tempos de guerra deveriam compensar as persistentes inquietações sobre sua administração da economia e hemorragia de empregos.

No entanto, o que existe agora é uma dose dupla de apreensão.

A apreensão vem acompanhada de ambivalência. As tropas ainda não abandonaram o comandante, embora ele esteja em uma situação cada vez mais vulnerável.

Uma nova pesquisa da revista Time e rede de televisão CNN mostra que mais de três em cinco americanos (63%) acreditam que invadir o Iraque foi uma decisão correta.

Mesmo os políticos democratas estão presos em uma armadilha de ambivalência. Fazem o que podem para criticar o presidente, mas as indicações são de que os bilhões de ajuda pedidos pela Casa Branca terão aprovação do partido no Congresso.

Bush não tem uma estratégia de saída das crises. Os democratas tampouco.

Mesmo Howard Dean, crítico veemente da aventura iraquiana e a sensação na multidão de pré-candidatos presidenciais, adverte que “fracasso no Iraque não é uma opção”.

No ano que vem haverá opções eleitorais, mas que mudanças podem ser visualizadas?

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