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Caio Blinder: O êxito perigoso de Howard Dean
Foi um bom verão eleitoral para Howard Dean e nem tanto para George W. Bush. Com o atoleiro militar no Iraque e as areias movediças da economia, o presidente republicano perdeu a aura de invencibilidade. Já o ex-governador democrata do pequeno estado de Vermont mostrou ser mais do que um modismo da temporada na multidão de nove pré-candidatos já em marcha. Ele gerou entusiasmo nas bases partidárias, preocupação no establishment democrata e ganhou espaço na mídia nesta fase ainda incipiente da corrida que termina na Casa Branca em novembro do ano que vem. Mas é isto. A corrida está em uma fase incipiente a 15 meses do final. Será que Howard Dean tem fôlego após a arrancada inicial? Uma fase mais dramática desta maratona que exige suor, sorrisos e muito dinheiro começa esta semana, depois do feriado tão americano do Dia do Trabalho (toda primeira segunda-feira de setembro) e o final das férias de verão. Indignação moral O grande inimigo democrata é Bush, mas a partir de agora será a guerra civil. Candidatos que esperavam estar em uma posição melhor a esta altura da corrida, como os senadores John Kerry e Joe Lieberman vão castigar Dean: é inexperiente, liberal demais, incoerente e alvo fácil para os ataques da máquina conservadora. Os republicanos, de fato, deixaram de tratar o ex-governador de Vermont como um político folclórico de um estado excêntrico. Ele reflete uma indignação moral com o estado de coisas. Desde o começo, Dean denunciou a guerra no Iraque como um equívoco e hasteou bandeiras populistas. Mas agora que deixou de ser subestimado, Dean precisa ser mais eclético. Mobilizar os ativistas e arrecadar dinheiro pela Internet é um charme, mas sua base de apoio são basicamente universitários, jovens profissionais qualificados e velhos liberais saudosos de George McGovern, aquele digno político trucidado por Richard Nixon na eleição de 1972, durante a Guerra do Vietnã. Dean é a América branca, educada e tolerante. Não basta para ganhar uma eleição. Outro paralelo histórico é com Michael Dukakis. Ele também fora governador de um estado da região liberal da Nova Inglaterra (nordeste americano) e foi derrotado após uma campanha implacável nas eleições de 1988 por um republicano chamado George Bush. 'Quixotismo' Dean, é claro, prefere ser comparado a um outro ex-governador de estado obscuro (Bill Clinton do Arkansas), que em 1992 derrotou o Bush pai em busca da reeleição. Mas na campanha de Clinton não havia este componente quixotesco que marca seguidores de Howard Dean. Uma pesquisa no estado de Nova Hampshire (vital no início das primárias em janeiro próximo) mostra um claro favoritismo de Dean. Os eleitores dizem que preferem um candidato democrata de princípios mesmo que ele tenha pouca chances de derrotar Bush. Dean não é tão imaculado assim. Escolheu a medicina como profissão, mas hoje é carreirista na política. Agora se mostra preocupado em limpar as manchas mais liberais (lembra que é contra um controle rígido de armas e a favor da pena de morte). Diz na brincadeira que não pode mais ser muito rude com os republicanos porque já tem o apoio de vários deles. Howard Dean existe e foi longe demais. É um problema para George Bush, mas também para os democratas. |
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