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Caio Blinder: Longa semana
O ciclo de atentados terroristas palestinos e implacáveis retaliações israelenses dos últimos dias segue um script mórbido e previsível. Qualquer ensaio diplomático no Oriente Médio, como o que foi encenado há uma semana pelo presidente Bush e os primeiros-ministros Ariel Sharon e Mahmoud Abbas, é saudado por uma escalada de violência. Não há surpresa, mas horas após o atentado contra um ônibus em Jerusalém e um ataque em Gaza, o clima no Departamento de Estado, em Washington, era descrito como de embaraço. Será que este novo roteiro da paz, basicamente traçado pelo governo Bush, já desembocou num beco sem saída? 'Quase fatal' William Quandt, professor da Universidade de Virginia e uma das maiores autoridades americanas em Oriente Médio, define este novo ciclo de violência como "quase fatal'' para o processo de paz. E não é por menos. Abbas tem poderes limitados, e Sharon não decide se quer deixar de ser Sharon, mas será que as coisas vão se degringolar com tanta rapidez? O tom generalizado dos analistas é de um crescente pessimismo. Mesmo assim, Ken Pollack, do Instituto Brookings, em Washington, avalia ser cedo para descartar o presidente Bush. A carnificina dos últimos dias será um teste decisivo para a disposição e a habilidade da Casa Branca para impedir este falecimento tão prematuro de um novo plano de paz. Não se pode subestimar Bush de forma tão fragorosa e imaginar que ele não sabia onde estava se metendo quando enfiou a mão do vespeiro do Oriente Médio. Hamas e companhia colocariam mais manguinhas (e bombas) de fora; Yasser Arafat iria torcer contra o sucesso do plano; os americanos teriam uma incrível dificuldade para manejar o bulldozer Ariel Sharon; e os neoconservadores iriam bater na tecla de que este esforço de conciliação era uma bobagem. Estratégia Não há muito mistério: Bush joga a toalha ou, como recomenda o professor Fawaz George, do Sarah Lawrence College, atua de forma bem mais incisiva. Tradução desta recomendação: um cerco ainda mais intenso em cima de Sharon para não retaliar e reforço da posição de Abbas, que, no final das contas, é uma "invenção" americana. O dano colateral das retaliações israelenses obviamente é o próprio Abbas. No caso de Sharon, fica claro que a política de retaliações não está atingindo o objetivo estratégico de conter a escalada de atentados suicidas. Israel dá mais munição para os grupos radicais. É trágico e fascinante acompanhar o refinamento dos ataques terroristas e os disfarces usados pelos mártires. São mais difíceis de detectar em Jerusalém quando matam trajados de judeus ortodoxos. Políticos influentes em Washington, como o senador John Warner, pressionam por táticas mais espetaculares para conter a espiral de violência. Uma idéia é deslocar tropas da Otan para o epicentro da crise, o que não está no radar de Bush. Mas algo dramático precisa ser feito. Para o presidente foi uma primeira, longa, extenuante e decepcionante semana de engajamento pessoal no confronto entre Israel e palestinos. Semanas piores estão pela frente. |
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