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Lula vai a Cuba levar apoio político e buscar negócios
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega nesta sexta-feira a Havana, em Cuba, para o que alguns consideram a sua mais arriscada jogada na área de relações internacionais. A visita de Lula ao velho amigo Fidel Castro tem uma importância muito grande para o país caribenho. Representa um apoio importante num momento em que antigos aliados – como o escritor português José Samarago e a cantora argentina Mercedes Sosa, velhos amigos de Fidel – retiraram o seu apoio, devido ao endurecimento da repressão à oposição cubana que culminou com o fuzilamento, em abril, de três homens condenados pelo seqüestro de uma balsa, desviada para Miami, nos Estados Unidos. Mas, além do apoio político, o Brasil vai a Cuba fazer negócios. Um dos compromissos do presidente é um discurso em um seminário que deve reunir cerca de 50 empresários brasileiros, interessados no comércio com o país. O Brasil quer incentivar os investimentos brasileiros no país e também ajudar os cubanos a exportar para outros países. Um dos projetos prevê a modernização de usinas de açúcar para exportação via Brasil para terceiros mercados, fugindo do embargo econômico dos Estados Unidos, que atinge também empresas cubanas instaladas em outros países. Prejuízos Um estudo do governo cubano, apresentado à ONU para pedir o fim do bloqueio, calcula em US$ 685 milhões por ano o prejuízo causado ao comércio exterior cubano por conta do embargo. O intercâmbio comercial entre Brasil e Cuba ainda é muito pequeno. No ano passado, o Brasil exportou apenas US$ 74 milhões e importou do país ainda menos, apenas US$ 14 milhões. Vários acordos estão sendo negociados e podem ser anunciados durante a visita. Um deles é a participação da Petrobras, que já abriu um escritório em Havana há um mês e está pleiteando dois blocos de exploração de petróleo no Golfo do México. A empresa também já assinou um protocolo de intenções para modernizar a refinaria de Cienfuegos. Os dois presidentes devem assinar ainda acordos de cooperação nas áreas de esporte – já negociado nesta semana pelo ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz – que prevê o intercâmbio de estudantes de Educação Física e o envio de treinadores de esportes olímpicos cubanos ao Brasil, e de técnicos de futebol brasileiros a Cuba. Missão clara O embaixador brasileiro em Cuba, nomeado há quatro meses pelo presidente Lula, Tilden Santiago, disse que recebeu a missão clara de estreitar as relações entre os dois países. Santiago não é diplomata de carreira, mas tem antigas ligações com o país desde o tempo em que militava em organizações de esquerda, durante os governos militares no Brasil, e é um entusiasta do presidente Fidel Castro, a quem chama de comandante-em-chefe, como os cubanos. Lula será acompanhado de oito ministros – Antonio Palocci, da Fazenda; Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento; Celso Amorim, das Relações Exteriores; Humberto Costa, da Saúde; José Graziano, da Segurança Alimentar; e José Fristch, da Pesca; além do ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz, em Cuba desde segunda-feira. Nesta quinta-feira, chegaram ao país o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que morou em Cuba como exilado político, nos anos 70, e o assessor especial da Presidência Frei Betto, que também já viveu no país e escreveu um livro, Fidel e a Religião, que é um dos mais vendidos de Cuba. Repressão A recente onda de repressão aos opositores do governo coloca numa situação delicada pessoas como Frei Betto, antigo militante na área de direitos humanos. Depois de uma palestra na Universidade de Havana, Frei Betto disse que à BBC Brasil que pretende expressas suas críticas a Fidel Castro e a integrantes do seu governo, mas que não o faria em público. “Amigos a gente critica, inimigos a gente denuncia. Como eu sou amigo do comandante Fidel Castro, amigo do governo cubano, eu faço em privado as críticas que tenho. E tenho”, afirmou. “Mas não faço em público porque aí seria denúncia e eles são meus amigos”, completou. Frei Betto elogiou “a autodeterminação de Cuba” e disse que “não se pode falar em direitos humanos onde tem fome”, como o Brasil. “Quando penso que moro num país onde 44 milhões de pessoas não comem, não posso achar que Cuba desrespeita os direitos humanos, num país em que todo mundo come, todo mundo tem escola, todo mundo tem saúde.” O presidente Lula chega a Havana ao meio-dia no horário local (13h de Brasília). Ele deve ser recebido no aeroporto pelo presidente Fidel Castro. O presidente almoça na residência do embaixador Tilden Santiago e em seguida tem um encontro privado com Fidel e uma reunião com ministros dos dois países. Depois da assinatura de atos de cooperação, Lula participa de um jantar oficial no Palácio da Revolução. No sábado, Lula se encontra com estudantes brasileiros, participa de uma cerimônia no monumento do herói nacional José Martí, que lutou pela independência de Cuba, faz um discurso no Foro Empresarial e tem outra reunião privada com Fidel. |
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