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Lula vai se reecontrar com bolsista brasileiro em Cuba
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegará a Cuba nesta sexta-feira para uma viagem de dois dias ao país. No sábado pela manhã, ele irá se reunir com estudantes brasileiros em Havana e rever um velho conhecido. Cleiton Nascimento, 26 anos, está no quarto ano da Escuela Latino-Americana de Medicina (Elam). Nascimento foi escolhido pelo próprio presidente como beneficiário de uma das bolsas que coube ao Partido dos Trabalhadores distribuir em 1999, na primeira turma da recém-criada universidade. Na época, Lula era o candidato derrotado nas eleições presidenciais de 1998. Ao final de uma reunião em Santo André, ele olhou para Nascimento, integrante da coordenação da juventude do Partido dos Trabalhadores (PT), e perguntou se ele gostaria de estudar Medicina em Cuba. “Na hora eu topei”, conta Nascimento. Ele disse que sempre quis estudar Medicina mas, filho caçula de um marceneiro e de uma costureira, tinha parado os estudos no final do segundo grau e se resignado a seguir trabalhando com o pai para ajudar no sustento da família. Família carente Fazer parte de uma família carente é condição essencial para ser aceito na lam, que tem estudantes de toda a América (inclusive dos Estados Unidos) e de alguns países da África. Hoje são cerca de 5 mil. As vagas brasileiras, 60 por ano, são administradas pela embaixada cubana no país, que as distribui aos partidos políticos, organizações e movimentos sociais. Além de não pagarem o curso, os alunos da Elam recebem hospedagem, alimentação, material didático gratuito e uma ajuda de custo de 100 pesos cubanos por mês. Um médico cubano experiente ganha no máximo 500 pesos por mês. “Aqui as pessoas estudam Medicina não para ganhar dinheiro, mas para salvar vidas e ajudar a comunidade”, diz Nascimento, satisfeito com o enfoque comunitário do curso que escolheu. O curso da Elam é um projeto do próprio Fidel Castro, para mostrar ao mundo como é a formação médica no país. Ao contrário do Brasil, onde o sistema de saúde é voltado para a especialização, em Cuba a ênfase é no médico de família. No total, são cerca de 600 os estudantes brasileiros em Cuba. A maioria cursando Medicina, justamente por causa da reconhecida expertise do país na área, mas também há estudantes em outras carreiras. O embaixador brasileiro no país, Tílden Santiago, disse que há um mês todas as dívidas dos estudantes brasileiros foram anistiadas e os que não podem pagar vão receber uma bolsa de estudos. “Somos muito gratos por esta posição do governo cubano”, disse o embaixador. Metade dos estudantes brasileiros já estava no país como bolsista. O curso de Medicina, para os que pagam, custa em torno de US$ 8,5 mil por ano. Diploma reconhecido O que ainda falta, para os estudantes brasileiros, é o reconhecimento por parte do Ministério da Educação brasileiro dos diplomas obtidos em Cuba. “O governo brasileiro sempre disse que esse era um problema nosso, porque nós viemos estudar aqui porque quisemos”, conta Nascimento. “Agora acho que as coisas estão mudando, o embaixador Tilden Santiago aproximou a Embaixada dos brasileiros que moram aqui”, afirma. O próprio embaixador diz que o assunto já está sendo tratado com o ministro da Educação, Cristóvão Buarque, e será resolvido em breve. Depois dos estudantes de Medicina, agora Brasil e Cuba estão preparando um intercâmbio de estudantes de Educação Física e técnicos esportivos. O ministro dos Esportes, Agnello Queiroz, já está em Cuba para a finalização desses acordos, que prevê a ida de técnicos cubanos de modalidades olímpicas para o Brasil e de técnicos de futebol brasileiros para Cuba. O governo cubano também montou uma escola latino-americana de Educação física nos moldes da escola de Medicina, para atender alunos de toda a região. O encontro do presidente será com um grupo de 50 estudantes, de todos os cursos. Eles têm esperança de que o presidente cubano, Fidel Castro, também participe do encontro, mas Castro nunca confirma seus compromissos com antecedência, por razões de segurança. |
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