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Viagem de Lula aos EUA testa política externa brasileira
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca neste domingo à noite em Nova York, para uma viagem repleta de desafios para a política externa brasileira. Na manhã de terça-feira, ele faz o discurso inaugural da 58ª Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Em seu discurso de quinze minutos, o ponto alto da viagem, Lula deverá usar a tribuna da ONU para reafirmar as linhas mestras de sua política externa: o combate ao protecionismo dos países ricos e a valorização do multilateralismo na resolução de conflitos. O presidente brasileiro também deverá fazer apelo pelo combate à fome mundial e uma crítica velada à atuação dos Estados Unidos no Iraque. Seja em ambição ou complexidade, a visita de Lula a Nova York, que se estende até quinta-feira, é a mais arriscada desde a sua posse, em janeiro. Seu desafio é projetar a imagem do Brasil como uma potência regional que aspira o papel de líder da América Latina, sem entretanto, parecer arrogante. A viagem também acontece num momento de tensão entre o Brasil e os Estados Unidos, logo depois da recusa brasileira em enviar tropas ao Iraque e da fracassada reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), marcada pelo ataque brasileiro aos subsídios agrícolas e industriais dos países ricos. Membro permanente Acompanhado por cinco ministros, entre os quais o chanceler Celso Amorim e o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, Lula deseja que sua viagem reforce a candidatura brasileira a um ainda remoto mandato permanente no Conselho de Segurança da ONU. Na segunda-feira, depois de participar da conferência “Combatendo o Terrorismo em prol da Humanidade,” Lula oferece um almoço ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Há duas semanas, Annan admitiu pela primeira vez a necessidade de que o Conselho de Segurança seja ampliado, para refletir a realidade do século 21. Até a tarde de domingo, a agenda presidencial não incluía nenhum encontro bilateral entre Lula e o presidente americano George W. Bush. É provável que Lula só se aviste rapidamente com Bush no almoço que Annan oferece aos chefes de estado da ONU na terça-feira. Encontros bilaterais Por outro lado, entre segunda e quarta-feira, o presidente brasileiro manterá encontros bilaterais com os principais líderes que se opuseram à invasão do Iraque: os presidentes da França, Jacques Chirac, da Rússia, Valdimir Putin, e o chanceler alemão, Gerhard Schröder. O presidente brasileiro encontra-se ainda, com os presidentes de Moçambique, Joaquim Chissano, e da Argélia, Abdelaziz Bouteflika. Na quarta-feira, Lula terá uma reunião com líderes sindicais norte-americanos da entidade AFL-CIO. Antes de seguir para o México e Cuba, na manhã de quinta-feira Lula fará uma palestra no Conselho das Relações Internacionais, um dos mais prestigiados centros de pesquisas dos Estados Unidos. O presidente brasileiro, que viaja sem a primeira-dama, Marisa Silva, ficará hospedado no hotel Waldorf Astoria, na região central da ilha de Manhattan. |
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