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Atualizado às: 03 de setembro, 2003 - 18h20 GMT (15h20 Brasília)
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ONU deve impor 'condições' aos EUA no Iraque, diz FHC
Para FHC, Brasil deve continuar reforçando liderança regional
Para FHC, Brasil deve continuar reforçando liderança regional

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que a ONU deve “impor condições” para enviar tropas sob sua égide ao Iraque, apesar de os Estados Unidos estarem indicando que podem ceder autoridade à organização no país caso isso aconteça.

“A ONU deve impor condições para isso, senão, daqui a pouco, um país faz o que quer, depois chama a ONU para consertar os problemas que criou lá”, disse FHC nesta quarta-feira na edição especial do programa De Olho no Mundo, uma co-produção da BBC Brasil e da Rádio Eldorado de São Paulo.

Na entrevista, o ex-presidente elogiou a política externa de seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, em temas como a promoção do desenvolvimento.

“Eu não posso negar que o governo atual, do presidente Lula, nestas áreas, tem tido uma posição correta, tem levantado as questões pertinentes”, afirmou FHC, para quem, neste ponto, não houve mudança em relação à linha seguida por seu governo.

Unilateralismo arriscado

Para o ex-presidente, o fato de o governo George W. Bush estar pensando em recorrer à ONU para ajudar na manutenção da segurança no Iraque é uma prova de que o unilateralismo acarreta riscos mesmo quando um país possui imensa superioridade militar.

“A guerra estava ganha de antemão; o problema é ganhar a paz”, disse FHC, comparando a ação americana no Iraque com o apoio dado à reconstrução da Europa e do Japão após a Segunda Guerra Mundial.

“O que está acontecendo no Iraque demonstra que a ação unilateral, do ponto de vista da durabilidade da hegemonia de um país, é arriscada em um mundo onde há opinião pública internacional que atua e influencia a opinião pública americana.”

“Recorrer à ONU, agora, é demonstração disso.”

Mercosul

Na entrevista, Fernando Henrique Cardoso destacou que o Brasil precisar continuar reforçando sua liderança regional.

Para ele, o país já vem desempenhando este papel, como prova seu envolvimento na busca de soluções para a guerra entre Peru e Equador, em 1998, e para a crise venezuelana.

FHC também disse que é preciso trabalhar para aumentar a integração entre os países do Mercosul, mesmo que isso envolva a delegação de algumas prerrogativas hoje exclusivas do governo nacional.

“O que faltou ao Mercosul, e ainda falta, é a decisão realmente firme de marchar no sentido de maior institucionalização, como a Europa fez”, disse o ex-presidente.

A entrevista concedida por Fernando Henrique fez parte de uma série de programas especiais para comemorar os cinco anos em que o De Olho no Mundo está no ar.

Na quinta-feira o cientista Sérgio Danilo Pena, um dos mais respeitados geneticistas da atualidade, vai falar sobre os rumos da ciência brasileira.

E na sexta-feira, o secretário-geral da Unctad, Rubens Ricúpero, discute as perspectivas para a rodada de negociações comerciais que terá início no dia 10 de setembro em Cancún, no México, no âmbito da Organização Mundial do Comércio.

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